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quarta-feira, 30 de maio de 2012

Sertão Sedutor





Assunta só!

Não sei por que...
Melancólico,
Ponho-me a escarafunchar
Vínculos com o sertão...
Não sei por que
Persisto em viver aqui,
 Nesse lindo sertão.

Assunta só!

Tá me saltando da boca
A vontade louca de responder:
Há motivos sedutores de sobra...
Que me fazem
Aqui permanecer!...

Assunta só!

Aqui me afinquei,
( quer queiram ou não!)
E afincado aqui
 Vou ficar...
Até que aprouver a Deus
Para o Céu me chamar!...

Assunta só!

Enquanto houver nesse sertão:
Ternos nas folias de reis...
Festas de São Benedito...
São João e São Pedro,
Catopês... Marujadas e Caboclinhos,
Carne de sol, pão de queijo...
Feijão tropeiro e pequi...
Som de viola enluarada,
Cantigas de “Seresta”...
“Psiu Poético” de versos muitos,
E o luar... a alumiar e a clarear estradas
Por onde eu deva passar...
É claro que vou ficar aqui!

Assunta só!

Vou ficar sim...
Mas, só enquanto existir por aqui:
“Veredas” refrescantes muitas...
 E frutos diversos do cerrado
(Umbu, coquinho, mangaba,
Buriti, panã e pequi...)
Pra gente saborear!...

Assunta só!

Pode ter certeza,       
Mantido o ecossistema,
Persisto em ficar aqui...
Cravado nesse lindo rincão!...

Assunta só!...
Vou ficar aqui sim...
Porque nesse belo “Sertão,”
É onde se planta vida...
É onde se enterra o corpo,
E é onde se espera contente...
A dita ressurreição!

Montes Claros (MG), 22-11-2011                                              
RELMendes







sexta-feira, 25 de maio de 2012

Ah! João Gomes?!... C´est mon oncle...

                  ( um tiozinho supimpa!...)



Êpa, espera ai!
Gritam-me abusadas...
As lembranças...
Que insistem
Em questionar-me:

Quem é aquele amigo
Muito viajado pelos mares,
  (Hábil faxineiro de convés de navios)
Marinheiro desertor,
Pobre aposentado...
Excelente cozinheiro
Que é chegado
Num gole da branquinha, hein?

Ah! C`est mon oncle,
Espantado, respondo!...                                                                        

Quem é aquele amigo recatado,
De sorriso farto e largo...              
De olhar discreto e ressabiado,
De voz forte e agradável
Que, contente, sempre te acolhia
Logo que chegavas...
Ao Rio de Janeiro, hein?

Ah!Tenham por conta
Que certamente
C`est mon oncle!

Quem é aquele amigo sorridente
Que, vez por outra, te convidava
Pra contemplar os navios lá no porto, ancorados,
E pra degustar, depois de um longo role,
Aqueles gostosos camarões, ao alho e óleo,
 Num boteco qualquer lá da Praça Mauá, hein?

Ah! certamente...
Eu sei quem é!
É o meu tio João Gomes, um cara incrível,
Que conseguia esconder sua tristeza
Sob o delicado véu de sua envolvente alegria,
E da gentileza de seu surpreendente sorriso...
Portanto, esse amigo generoso do qual lhes falo,
C`est mon oncle...João Gomes,
Um tiozinho supimpa!...

Obs: C`est mon oncle= é meu tio.


Montes Claros (MG), 14-05-2012
RELMendes

sábado, 19 de maio de 2012

Pequi Norte Mineiro

            (a delícia do sertão!...) 



Pequi Norte Mineiro?!...
Êita trem gostoso!...
Êita trem bão!...

Esse é o pequi saboroso!
Esse é o ouro do sertão!
Pois ele dá sustança
Ao véio sertanejo,
E firma criança robusta
Neste agreste chão!...

Êita trem gostoso!...
Êita trem bão!...

Há quem diga que ele cheira,
Outros, que fede, afirmam....
Mas, cheirando ou fedendo,
Da catinga cheirosa dele...
Ninguém aqui abre mão!

Êita trem gostoso!...
Êita trem bão!...

Oia aqui seu moço,
Assunta só:

O pequi é fruto intrometido,
Se mete em qualquer lugar,
Se encontra nas festas da elite,
E  num falta na popular!...

Êita trem gostoso!...
Êita trem bão!...

De quando da safra do pequi,
Já bem cedinho...( logo ao alvorecer)
Nas panelas do borralho se começa logo a prepará-lo.
Ai o fuxico do seu cheiro ou de sua catinga
Exala...(por todo canto)
Pelos telhados, ruas, praças e calçadas.
Enfim...
Por onde quer que se ande,
Ou por onde quer que se vá.
Ah! E a qualquer hora do dia ou da noite, viu?
Porque roer pequi, é com a gente mesmo!

Êita trem gostoso!...
Êita trem bão!...

E lá por volta das dez horas da manhã,
Grita alguém de algum lugar:
Já tá pronto o “arroz com pequi”, gente!

Uai já, sô?!
Sussurram contentes
Os convivas já famintos,
E então...
Véios e véias...homes e muiés,
A moçada toda e toda a criançada da redondeza
Juntos se alvoroçam alegres...
E, de prato feito na mão,
Começam a farta degustação...

Êita trem gostoso!...
Êita trem bão!...

Consumada a comilança,
Olham-se com grande satisfação,
E berram num uníssono coro estridente:
Êita trem gostoso!...
Êita trem bão!...


Montes Claros(MG),  23-11-2011
RELMendes