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segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

Quem é essa moça ai tão formosa hein?


-Se é uma moça bonita é minha neta
Nascida há alguns anos neste Sertão.
Mais linda que ela ninguém o é mesmo!
Nem mesmo as mimosas florzinhas   
Enfeitadoras das malhadas poeirosas
Desse nosso torrão. Eu acho!

-Se é uma moça faceira é minha neta
Nascida há alguns anos aqui neste Sertão.
Faceira que nem ela...ah é raro!
Somente os roseirais a florirem aos montes
Nas terras desta amada Montes Claros o são.
Ou os outros roseirais faceiros a florirem
N’outras plagas das inúmeras Gerais.
Como os da bela Ituiutaba do Triângulo.
Onde ela minha neta foi cuidadosamente cultivada
Vez que por lá vivem seus pais!

-Se essa tal moça faceira tem olhinhos de jaboticaba
- Quais fossem pérolas negras preciosíssimas
Que vez em quando reluzem nos meus olhos
A brincar de pirilampos em meu coração sorridente -
Saibam. Ela essa tal moça formosa que nem uma fulô
Do sorriso rasgado e bonito a fluir sem avareza
Que a mim e a muitos por decerto encanta á beça
É simplesmente a minha neta Jéssica Mendes.
A única neta deste longevo Romildão. O ancião versador
Desse amado e decantado Sertão tão versejado
Porquanto deveras tão encantador!

-Ora!Quiçá esse meu encantamento todo
Seja apenas por eu ser seu avô paterno.
Mas este avô ancião versador  sempre
Transbordou de amor por ela aos borbotões.
Ah! E transbordou de amor desde que ela
Sua bonita neta desabrochou faceira
- Nessa terra deste amado Sertão -
Como deveras faceira sempre desabrocha
Uma bela flor-mulher sertaneja.

RELMendes -15/01/2019

domingo, 13 de janeiro de 2019

Ou vai ou racha! Ficar só é só pra que gosta!


(mesmo assim de repente vez por outra ele se arrocha
ás escondidas nas quebradas da vida!)


-Sem saber por quê é quê é

(Como diria Guimarães Rosa)
Nem tampouco se deveria
Ainda assim disponho-me a ser
Seu amigo agorinha mesmo.
Embora desconfiadíssimo.  Viu?
Entretanto venha bem de mansinho
Senão me espanto e me arranco
Das bocas ligeirim ligeirim.

-Pois não pretendo jamais ser refém
De nem uma estrambelhada qualquer
Nem tampouco de quem queira apenas
Tirar umas casquinhas maneiras de mim
E depois largar-me cá transbordando
De saudade aos montes. Falou?

-Sabe por causa de quê que num quero ser refém?
Por causa que há quem diga a boca miúda
Ou afirme de mãos e pés juntinhos
Que a tal da saudade (Ah saudade!)
É um trem mas um trem tão malvado. É.
Que já matou muita gente mundo afora.
Mas se quem me quiser não importa a intenção
Vier bem de mansinho talvez eu tope a safadeza.
Pois se saudade mata a tal solidão extermina!

RELMendes – 13/01/2019




domingo, 30 de dezembro de 2018

Por vezes minh‘alma nubla-se de saudades


-Nublada está minh’alma inquieta!
Nada há por aqui que a acalante...
Vinhos? Há! Estes já não mais a aquiescem,
A contento. Não, nas frias madrugadas
Desse seu outono...interminável!
Nem mesmo servem para abrandar-lhe
Seus incessantes lamentos aos prantos.

-Nublada está minh’alma,absorta em lamentos.
Às noites sempre empanturra-se de saudades.
A passos trôpegos ela anda a cambalear
Pelas vielas de meu pretérito, distante...
(Em busca sabe- se lá do quê, ou de quem! )
Pois sabido é que, por lá, ela nada, ou coisa alguma,
Amealhou de mais valia, pra debulhar-se assim
Em tantas saudades...infindas.Eu hein?

RELMendes – 06/08/2018



segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

No Natal um amor inesperado pode deixar Nosso mundo um pouquinho mais encantador.


-Ora, não fique macambúzio não!
Até concordo contigo. O tempo de Natal
É muito propício á melancolia.
Ou seja. A saudade nesse tempo
Toma posse da gente sem pedir licença.
É assim mesmo. Sempre assim!

-Ah! Mas olha só,o mundo continua a girar
(Independentemente do nosso querer)
Rodeando-me sem cessar
- Não sei eu a troco de quê!
Rodeando-te pra ti espiar
- Bem sei eu a troco de quê!
Rodeando-nos á distancia
- Quiçá, pra não nos perder de vista!
Rodeando-nos curiosamente.
Qual carrapeta colorida a girar
Em chão de terra batida.
(“Eta que quá!)

-Então, lancemo-nos já, um aos braços do outro,
Demo-nos as mãos agora, entrelacemos os dedos,
(Sem hesitar nem um tiquinho sequer...)
E deixemos o mundo a nos espiar espantado.
Pois que ele, o mundo, fique logo sabendo:
- Qualquer tempo é bom pra se amar,
Inclusive até á sandice, ora!

RELMendes – 15/12/2018

quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

Vestir-me de mim mesmo É meu maior anelo!


-Então, de imediato, proponha-se a:
- Desvestir-se da esdrúxula
  Ostentação tão em voga.
  Ela é pura fantasia.
- Saber-se único ( no universo)
  É um dilema.
  E sentir-se nascido
  Para amar é outro.
- Fazer-se total empatia
   Pelo caminho...é sina!
- Navegar-se até obter-se
  É inegociável!
- Óh! Coisas profundas!
   (- Pra su’alma de criança. - )

-Mas o que é vestir-se de si mesmo?
Ah! É apenas preparar-se
Para dar-se totalmente a alguém
Que nos queira bem, de verdade!

RELMendes – 06/12/2018



segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

Dar-se um tempinho


(É afagar-se!)



-Pensar em si.
Só um tiquinho!
Quem sabe?
Mas estar consigo...
Só consigo.
No âmago de si.
Ainda que só
Vez por outra.
Pra escutar-se
E possuir-se.
Nada além!

-Aternurar-se
Descaradamente
Sempre que o quiser
Pra não largar-se
Ás traças jamais...
É afagar-se!

-Degustar-se á beça.
Por momentos
Horas e quiçá dias até.
Isto é afagar-se.
Isto é querer-se bem.

RELMendes – 08/12/2018



sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

Quem sabe entreter-se consigo, mesmo, possui-se!

(O sertanejo é mestre nisto!)




-Quem ás vezes distrai-se consigo mesmo:
- Cantarolando por aqui e lá acolá também
No batente da porta de sua casinha na pracinha
No pasto ou mesmo num botequinho qualquer
- Volteando o seu quarteirão, a pés em chão,
Assoviando que nem passarinho desengaiolado
- Sorrindo ou gargalhando pra qualquer um...
Espalhando assim uma baita alegria sertão afora
Namporta se ao amanhecer, sol a pina, ou anoitecer
E só volta ou retorna á sua vivendinha ou lar
- como ao convívio dos seus também -
Quando assim bem o entender...ou quiser!
- Desde que após o silenciar de sua viola plangente!-
É por isto que ele por decerto já é posseiro de si.
Quiçá um boêmio ou talvez apenas artista sertanejo!
Isto pra mim é que é viver uma pá de liberdade!

RELMendes – 05/11/2018


segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

Coisinhas que se precisa bisbilhotar


(Este poeminha,  fiz-lo pra quem o ler!)


-Ninguém conhece as marmotices

Nem tampouco as bestagens de alguém
Se não toma de conta delas... Ora!

-Como tomar de conta delas sô?
-Tal atitude não é bisbilhotar
O sagrado da vida alheia?

-Não! Não é não!
Falo de tomar de conta apenas
Daquelas coisinhas graciosas:
- Que se escreve pra quem as quiser ler
- Que se fala a brincar contente
- Que se pensa alto de propósito
- Que se faz pra alegrar alguém...

-Falo, portanto, de tomar de conta
Apenas de coisinhas pra alegrar
A vida de quem precisa sorrir viu?!

RELMendes -26/11/2018



quarta-feira, 28 de novembro de 2018

Toma termo linguarudo... Insignificâncias, todos as temos!

(Cresçamos juntos então!)


-As insignificâncias da gente
São tão acintosas...a todos!
Mas somos tão apedeutas deveras
Que só as perceberemos aos montes
Se nos tornarmos deveras humildes.
Pois só juntos ah, nos significamos!

-As insignificâncias da gente
São tão aberrantes...a todos,
Mas somos tão presunçosos deveras
Que só as perceberemos aos montes
Se nos tornarmos deveras atentos
Espiadores das muitas gentilezas
Daqueles que nos acercam
E nos abarcam no dia a dia
Sem nos constranger jamais!
Pois só juntos ah, nos significamos!

-As insignificâncias da gente
São tão transparentes...a todos,
Mas somos tão insolentes deveras
Que só as percebemos aos montes
Quando alguém mais arrojado - por algum
Motivo, inspiração, ou benquerer, quiçá -
Ousa surpreender-nos ao apontá-las, a nós,
Através de gestos explícitos, de generoso acolhimento
E muita bondade para conosco, mesmo em sendo nós
Como e quem, na realidade, o somos:
- Nada mais que criaturinhas plenas de insignificâncias!
Mas juntos ah, nos significamos, e muito!

RELMendes – 28/11/ 2018



domingo, 25 de novembro de 2018

O bicho homem é um caso a pensar


(Êta que quá! Nem sei se hoje é bom se pensar!)



-A onça mora no lajeado
Fareja por toda parte sua comida.
-A cobra desliza astutamente
Em busca de seu alimento.
-O carcará no sertão pega mata e come
Pra equilibrar o ecossistema.
-Mas o bicho homem furdunça em todo lugar!

-Quando inimigo se disfarça de cordeiro
Abriga-se e estrambrelha o teto que o acolhe
Na maior cara de pau. Sabe por quê?
Ainda não se aprendeu a identificá-los
Entre os mais próximos da gente:
- Os consangüíneos, ou mais os chegados!
- Caim matou Abel. Faz tempo!
- Jacó ou Israel surrupiou
A primogenitura de Esaú. Né d’hoje!
- Davi mandou matar Urias
Seu melhor amigo, de todas as horas,
Pra se apossar da mulher dele:
- A tal Bersabeia! Que sacanagem!
- Judas Iscariotes  vendeu “Jesus”
Por trinta moedas de prata. Pode sô?
-Filhos(as) atualmente ou desde sempre 
Surrupiam os pais, sem constrangimento,
 E depois pasmem abandonam-nos em asilos.
Dá pra entender?

- Um certo povo aí de uma  tal “Terra Brasilis”
Deixou-se levar de repente pelas malditas  fakenews
E escangalhou sem pena nem dó com o país inteiro:
 - Pois até professores por incrível que lhes pareça
Serão daqui pra frente apenas papagaios falantes.
Pois há quem queira por ai afora no momento
Que eles d’ora avante não mais possam falar ou
Apresentar a seus diletos aluninhos
Seu discurso em prol dos direitos humanos!
Eu já vi essa merda outrora!

-Os apedeutas? Ah, eles sempre confundem
A generosidade e a bondade da gente
Com pura ingenuidade, ledo engano!
PUTZGRILA! Verdadeiramente
O bicho homem é um causo a pensar!

RELMendes – 25/11/2018

 · 

quarta-feira, 21 de novembro de 2018

Sou negro e não nego!


Sou negro e não nego!



-Sou negro!
Não há como negar isto!
Embora eu não tenha
Cabelos encaracolados
(Que pena!)
E minha pele seja desbotada
(Que lástima! Eu quereria tê-la negra
Como uma graúna!)
Pois sou fruto da miscigenação!
Sou negro então ora bolas!
Isto é fato em mim meu!

-Sou negro!
Não há como negar isto!
Meu avô paterno
Era negro!
Minha vó materna
Era negra!
Falo neném
Dou calundu
Sou dengoso
Danço samba
Amo batuque
Dizem até que sou
Filho de Xangô olha só!
Gosto de feijoada...
Sou negro então ora bolas!
Isto é fato em mim meu!

-Sou negro!
Não como negar isto!
Minha falsa branquitude
É pura ilusão de ótica
Vez que minhas gengivas
São rochas que nem fulô
De maracujá.
E as minhas ventas então?
Ah, essas são bem avantajadas!
Sou negro então ora bolas!
Graças a DEUS!
Isto é fato em mim meu!

-Sou negro!


RELMendes – 20-11-2018


quinta-feira, 15 de novembro de 2018

Solidão é uma decisão pessoal



Corro! Não sei eu bem pra onde!
Só quero estar a sós comigo, agora!
Ora bocejo coisas tristes, ora suspiro canduras.
Retorno. O descer a montanha do êxtase 
Impõe-se resoluto.
Pleno de mim agora,
Quero enlaçar-me de gente.
Ou, quiçá, pousar em quem me nine,
Simplesmente porque quer ninar-me.
Oh! Acho-me estar em primavera,
Sempre que me retorno da solidão.

RELMendes – 08/11/2018

domingo, 11 de novembro de 2018

Confidências


(Pra si mesmo claro!)


-Remexeu por horas

As gavetas do seu pretérito.
Sorriu por vezes contente.
Culpa quiçá das coisinhas boas
Que outrora vivera poucas vezes.

-Verteu lágrimas a cântaros.
Vilanias enfeitaram-lhe
O cotidiano sem trégua
Sequer um só dia.
O pretérito fora-llhe uma arena
Apenas.
Pra quê então remexê-lo
Com tamanha ousadia?

-Olhou e reolhou com desdém
Os desvãos todos do seu pretérito.
Enfarou-se de bulir em quinquilharias
Que algemaram-no ao seu outrora
Assaz distante.
Meneou então a cabeça grisalha
Sutilmente.
Balançou os ombros franzinos.
Como quem debocha de algo
Quiçá das coisas que não foram.

-Fixou por fim os olhos marejados
De lembranças abestalhadas
No seu presente bem ali consigo.
Armou-se de risos.
E rindo-se de si mesmo
Evadiu-se dali sem cantilenas
Nem de descaso nem de alegria.
Apenas pleno de certeza que
Viver o presente é de mais valia!

RELMendes – 11/11/2018

domingo, 4 de novembro de 2018

Amor? Só se for lambuzado de agoras!


-Amor internitente, a mim não me apraz, jamais!
Pois este amor tem cheiro e sabor de paixão, banal,
Permeada de descomprometimento, total.
Sem aquele quê de gostosura, do to contigo,
Para o que der e vier, hoje, amanhã e sempre!
Sem aquele, êta que quá, que faz a gente amealhar
Segredos e sonhos, pr’uma vida inteirinha, sem medo
De ser feliz, nem hoje, nem amanhã, nem nunca!

-Ora! Amor pra mim tem de ser constante, pegajoso,
- Qual visgo em arapuca pra se aprisionar
 Passarinhos desavisados, sem xurumelas algumas  -
E, sobretudo lambuzado de gestos de benquerer,
Entre um e outro, toda hora e a todo momento,
Sem se dispor a mais nada senão, um ao outro, somente.

-Ah! E em total oblação de amor comprometido, entre ambos,
E sempre prédispostos á saliências, inesquecíveis, a toda hora,
Quer num canto qualquer de chão batido, ou sob e sobre
Alvos lençóis perfumados com um suave cheirinho de patchouli
E alumiados pela luz fraquinha de um dourado candeeiro tosco,
Prestes a incendiar a gostosa alcova buliçosa de prazeres, tantos,
Onde nossos corpos se contorcem, se enroscam, e se remexem,
Sem xurumelas, prazerosamente, aos sussurros, infindáveis,
Do nosso rosetá, sem fim, em todos os agoras!

RELMendes – 30/10/2018


sábado, 3 de novembro de 2018

O que se aprende com a decepção e a dor Alegria nenhuma jamais nos ensinará!


Quando nublam-se as nuvens, em breu,
No comboio de tempos obscuros, em nossos céus,
Não vejo saída outra senão, escrever e escrever, aos montes,
E depois, quiçá, boquiaberto, espantar-me com meus escritos
Vez que ao lê-los - ainda nas calhas de seu escondimento -
Entretenho-me, abestalhado, á beça, quem sabe até, aos risos,    
Como eu já o fizera outrora, em tempos deveras luminosos,
Em que cantei a esperança, ainda que oco de tristezas,
- “Vamos minha gente, que esperar não é saber, quem sabe
faz a hora não espera acontecer” -
E denunciei com parusia, a miséria gritante que grassava, aos montes,
Por todo canto e recanto deste imenso país, clamador por justiça, já!
Até que, êta que quá, amordaçaram-nos por anos a fio, e com fios!
Foram anos sombreados de dores, horrores, dissabores, desalentos,
E quem quiser ter uma noção melhor deles, que a busque em livros de
Historiadores, dos mais abalizados, e comprometidos, só e, exclusivamente, com a verdade histórica. Ora!
Entretanto, sempre permaneci esperançoso, num ligeiro ou rápido retorno da ilustre senhora “Liberdade”. Que, aliás, só haveria de voltar, pra “Felicidade” de todos nós, depois de muitos anos (23). Ah! E após  constantes  protestos de rua, a céu aberto! Para que, então, se pudesse cantar  de peito aberto, em alto e bom som, sem cessar:
- “Liberdade. Liberdade” abre as asas sobre nós..
Mas, pena que hoje em dia, desaforadamente, voltaram  a nos ameaçar com um  amordaçamento inconcebível, a quem nos ensina a pensar,  Isto, bem aqui, diante de mim e de todos os seres pensadores que, neste então,  plangem... e plangem, aos prantos, por conta de todos  aqueles que, doravante, calar-se-ão indubitavelmente, até retornarem, Quiçá, em breve, os saudáveis ventos da “LIBERDADE” a soprar por esses rincões brasileiros tão amados!

RELMendes – 02/11/2018

segunda-feira, 29 de outubro de 2018

Georgino, o Júnior poeta mor, montes-clarense Multiartista clareador de corações e mentes


 (In memória de Georgino Júnior)


-Então, poeta mor, diga-me cá sem xurumelas:

- Oh poeta clareador deste amado Sertão
 Por que tu te mandaste daqui desta terra
Tão discretamente, mas ligeirinho, á beça,
Deixando a gente aqui, boquiabertos
De espantamento, face ao, pra nós, tão inviável,
E apoquentadíssimos, de saudades tantas
Aos prantos, até, com os olhos cheios de poeira e dor,
Hein sô?

-Por acaso lá do firmamento sem fim...onde estás,
- Oh poeta mor clareador deste amado Sertão
Algum acendedor de estrelas atrevido, á beça,
Ousou te raptar sorrateiramente daqui, desta terra,
Pra tu ir alumiar de antemão a saia godê da noite
Em breu e, assim embunitá-la, como se foras tu, sô,
Um pirilampo sapeca a lampejar zombador o infinito
- Zombador, sim, mas também, transbordante de sutil
E inteligente humor deveras interessantíssimo-
Lá nas alturas das bandas do lá acolá dos anjos bochechudos,
Ou, quiçá, foi só pra tu ir pra lá brincar de esconde-esconde
Com as outras estrelas tuas parceiras de incandescer
Os céus logo após o adormecer do crepúsculo, hein sô?

-Bom, oh poeta mor sertanejo, clareador de mentes e corações
Num arrepare não, por favor, minha tamanha intromissão,
Mas em sendo eu, por demais, enxerido, nessas últimas noites
Após o teu estrelamento, andei vislumbrando, lá nos altos céus,
Uma estrela mais lampejante que todas as demais que por lá
Brilhavam ...piscando, piscando...  Sem cessar!
Então, tive por certo que eras tu, oh caro poeta mor sertanejo,
Brincando lá no céu displicentemente, com outras estrelas,
Ao teu redor, de MontesClarosmontesclariou!

RELMendes – 26/10/2018

quarta-feira, 24 de outubro de 2018

Com bastante AMOR e generosidade á beça tem jeito


-Meio a tanta truculência verbalizada ao léu quem sabe
A gente não possa abrir delicadamente o peito e mostrar
Que ainda tem gente boa capaz de expor seu coração
Ávido de espargir AMOR a todos que dele carecem
Só pra embunitar esse nosso Brasil amado hein?

-Meio a tanta maledicência polvilhada sem avareza
Pelas mídias e pessoas incautas e despidas de civilidade
Quem sabe a gente não possa fazer a diferença sendo
Acolhedores generosos bondosos e, sobremaneira gentis
Só pra embunitar esse nosso Brasil amado hein?!

- Meio a tanta intolerância descabida ou total estranhamento nosso
 Ao “diferente” daquilo que vivemos/ cremos/ pensamos/ valorizamos/
Ou simplesmente porque o achamos inaceitável a nosso ver.
Ah! Isto ocorre por total ou parcial desconhecimento nosso das origens e
Essências do desconhecido por nós totalmente refutado com chulas
Justificavas absolutamente elenmentares.
Quiçá por isto é que lamentavelmente nos conduzimos ás cegas
Ao abominável preconceito contra indígenas/ negros/ mulheres/ Favelados/ Nordestinos e toda sorte de discriminação das minorias
Etc & Tal .
Mas mesmo assim tenho por certo cá bem dentro de mim que
Ainda há muita gente boa e de bem disposta a caminhar conosco
Que marchamos a passos largos e ligeiros sem hesitar jamais
Rumo á bendita fraternidade universal...
Só pra embunitar esse nosso Brasil tão amado!
Ah/ se tenho!

RELMendes  - 24/10/2018


terça-feira, 2 de outubro de 2018

Algumas palavrinhas a quem quero bem


-Minha gente, eu sou muito mais nós...sobretudo, juntinhos!
Na verdade mesmo, no trato do dia a dia do escorrer da vida,
Eu gosto, muito mais mesmo, mas gosto, á beça,
É do aconchego: - do nós,do conosco ou, simplesmente,
Da gente compartilhando, entre nós, alegrias sem fim,
Ao invés, do só para mim, tão entediante,
E do egoístico, só comigo, e com mais ninguém...
Tão tristonho, chocho e descabido, até!
Pois não sou, de jeito algum , afeito à aborrecida solidão
Que,vez por outra, se avizinha da gente...e se aboleta,
Mesmo sem ser convidada, ora bolas!

-Portanto, saibam que eu gosto muito mais, mesmo:
- É do rogai por todos nós, sem exceção de ninguém,
- É do “ora pro nobis”, tão saboroso e nutritivo,
Sobretudo, encima dum baita frango caipira, gostoso:
- Da gente lamber os beiços, brelhados de prazer!
- É do tende piedade de nós, vós, eles e elas,
Sempre tão belas,faceiras e enigmáticas.../
É do caminhemos todos juntinhos:
- Eu,tu ,ele e ela, nós, vós, eles...
E, sobretudo, elas, ah, tão radiantes e belas!
- É do vamos sair por aí afora, todos juntinhos...
“De mãos dadas”, em busca de nossas vitórias...
Ao invés, jamais, do que, tão-somente,
De minhas próprias vitórias, tão egoisticamente....
Pessoais, solitárias e chochas, sobretudo!

-Ora! Então, reverbero sem hesitar:
-  Gente, amassemo-nos, uns aos outros,
Acarinhando-nos,sem constrangimentos tolos!...
Pois, amando-nos...uns aos outros, profundamente,
A gente, decerto, vai além do esperado. Ah, se vai!


RELMendes 30/09/2018


sexta-feira, 28 de setembro de 2018

Vivências constroem-se




-Quem diria que um dia...
Depois de tantos arroubos;
-Quer de paixões...sem  composturas,
- Vividas, só entre nós, secretamente,
Em qualquer lugar ou cantinho escondido
Onde o fazíamos de alcova, momentânea,      
Para o fluir do nosso prazer, cheio de sonhos
Do jeito da gente sonhar prazeres... -
-Quer de prantos...doloridos,
- Chorados, ás escondidas, de todos,
Pois só nós sabíamos os porquês
Dos tantos desalentos, ás escondidas,
Como falta de dinheiro pra se alimentar
Ou tratar doenças de filhos...a contento! -
Cá estaríamos nós, aqui e agora,
Bem juntinhos, a vivenciar, sem cessar,
A ternura do amor que ambos fomos tecendo,
Resilientemente, no valsar do dia a dia
De uma vida a dois, inteirinha, hein?!

RELMendes – 19/09/2018


sábado, 8 de setembro de 2018

Quem sou eu?


-Ah! Eu sou apenas um passarinho...
- Ora sonso à beça
- Ora serelepe por de mais
Que sempre foge espantado...
Se importunado impertinentemente
Por alguns curiosos... indiscretos e inesperados,
Que de repente se achegam sorrateiros
Sem serem esperados nem tampouco convidados.

-Ah! E que sempre quando importunado
Refugia-se lá  pelas bandas do detrás de si mesmo,
Que devem ficar...penso eu, no esconderijo
De seus singelos versinhos ternurentos.

-Enfim, eu sou apenas um passarinho...
Ressabiadíssimo, sempre prestes a ir e vir
Voando  voando  a brincar nos ares
Até pousar sereno ou alopradamente
No aconchego macio de sua amada...
E fazer a noite bocejar arrepiada de inveja.

RELMendes -  04-05-2015