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terça-feira, 7 de maio de 2019

Mesmo quando o outono chegar As flores hão de perfumar-nos


Mesmo em ventos de manhãs de outono
Desperta-nos ao perfumarem-se as flores
Que não obstante o sopro gélido do outono
Insistem em desabrocharem nos jardins
Do de repente das estações do tempo em troca
Para aquinhoar-nos de belezuras os amanheceres
Da vida estilhaçada em dias plenos de variados
Espantamentos efêmeros que sempre vale a pena
Deixarmo-nos arrebatar por todos eles, sem hesitar
Jamais, não importa o estranhamento chulo
Em que noss’alma se debruce no momento.

RELMendes – 07/05/2019



segunda-feira, 29 de abril de 2019

Não há que se ter tanta ansiedade a toa Pra se degustar a deliciosa felicidade


-Eu, tu, ele, ela, nós, vós, eles...e elas,
Todos nós...juntos, enfim:
- Estamos sempre muito inquietos!
- Quiçá,malassombrados, á beça, até!
Vez que a ausência de intermitência
Em nossas ansiedades constantes
(Para se ser feliz a qualquer preço)
Alvoroçam-nos, desnecessariamente,quiçá,
A alma ingênua, o coração aloprado...
E a pobre mente abestalhada...
Como se fora os de uma criança
Que facilmente se deixa levar ao léu
Ao sabor de suas ilusões tão pueris...

-Ora! Ora! Ora! Deixarmo-nos, pois,
Levarmo-nos pelos apelos pueris da criança que
Em nós residirá até o fim de nossos dias...
E corramos sem medo, o risco de se descobrir que
Felicidade é apenas um punhadinho de coisinhas
Com o delicioso sabor de infância, tão somente,
E nada além!

RELMendes – 23/04/2019

quarta-feira, 24 de abril de 2019

Todo dia é dia de índio




-Nesse país todos nós somos índios.
(Ou seja. AMERÍNDIOS ou SILVÍCOLAS!)
Quando não no sangue, em seus muitos costumes.
- Comemos lambendo os lábios - beiços mesmo –
Mandioca, macaxeira ou aipim, em suas diversas
Formas de degustá-la prazerosamente:
- Farinhas diversas, farofas tantas, beijus, tapiocas,
Bolos etc & tal
- Balançamo-nos prazerosamente em redes...
- Cochilamos preguiçosamente no seu  balangar.
- Quem não gosta de uma traira sem espinhos
 Frita ou assadinha?
Com as índias aprendemos assá-la ao calor das brasas
Embrulhada em folhas de bananeira ou outras folhagens.
- Quem de nós não gosta de se banhar várias vezes ao dia?
Dizem os europeus que isto é coisa de índio. E não será?
- Quem de nós não gosta de se mudar com  frequência?
Mudança faz parte da vida do índio em busca de terra fértil.
- Fomos, outrora, acolhedores e hospitaleiros, sobretudo com
Os nossos...porque numa tribo todos são responsáveis por todos.
 Como órfãos, idosos etc & tal.
- Somos trabalhadores porque o índio – macho – levanta-se
Cedinho para caçar e pescar para prover a tribo de alimentos.
Se eles descansam á tarde, não é por preguiça, mas pra estarem
Aptos a enfrentar o inimigo invasor de seu território e darem  
Assim condições de fuga ás crianças, mulheres e idosos.
- As índias são parceiras laboriosas e responsáveis pela
Continuidade da espécie...e sua sobrevivência...com fartura. 
- O índio, pra quem não sabe, é um educador por excelência:
Pois quando vai ensinar algo a algum curumim- criança –
Ele se poe de cócoras para ouvir e falar sem se impor
Pela sua altura...ao seu aprendiz atento etc & tal
Isto é apenas um exemplo!

-Então salvem- nos! Salvem-nos!
Porque é uma pinóia das cabeludas
Quem no Brasil diz, ou afirma não ser índio!
“Êta  que quá!”

PS - Ah! A sinistra ministra da agricultura, Tereza Cristina, e
Outros afins, como a esdrúxula Damares, não o são
Vez que uma é uma chupadeira de mangas, quiçá, um guariba,
E a outra, uma butiazeira, viciada em goiabas celestiais.

RELMendes – 20/04/2019
Fotos  de Manoel Freitas


sexta-feira, 12 de abril de 2019

Coisinhas corriqueiras do meu dia a dia


-Acordei? -Respirei? -Espreguicei-me?
-Certifiquei-me de que ainda estou deveras vivo?
-Pois, então, vou deixar a luz do sol entrar:
- Cantarei louvores de gratidão aos céus...
E á vida a fluir em mim, e fora de mim,
-Irei em seguida pras ruas entreter-me, á beça,
Com meus pares... Ou melhor.. Os de minha idade.
(Senhorzinhos e senhorinhas fuxiqueiros)
Para nos desentendermos ou concordarmos
Sobre a escrota tuchutuchucança do ministro
(da economia)
Em favor dos gananciosos banqueiros exploradores...
E gargalharmos muito, acintosamente até, d’outro
Ministro, apedeuta, e de sua infeliz gafe ao dizer:
- “Conge”, ao invés de cônjuge....
“Êta que qua!”

-Gente, por conta de tanta zueira e gozação, á beça,
 Sou sempre o último a deixar a patota, tagarelante,
 Ou a abandonar o pedaço aonde as fofocas correm
Desenfreadas, aos montes...  
Vez que não quero que falem de mim pelas costas...
“Èta que qua!”

-Contemplarei também, florzinhas mimosas, á beça,
Que se aproveitando do desleixo, a olhos vistos,
Das calçadas desgastadas e ruas esburacadas
(Por culpa dos proprietários ou dos fiscais públicos)
Desabrocharam displicentemente, a seu bel prazer,
Pelas frestas ou rachaduras das coxias e calçadas
Por onde costumeiramente, ainda ouso caminhar...
Com medo, á beça, de esparrachar-me ao chão!
“Êta que qua!”

RELMendes – 04/04/2019


quinta-feira, 4 de abril de 2019

QUIMERA, quase um nome de mulher.


(À minha filha Tatiana Veloso Mendes)


-Ah,n’alma, quimeras já as degustei muitas!

Mas quase todas, oh, eram apenas
Um punhado de utopias, irrealizáveis...
Nada além!

-Mas ela, minha Quimera-menina,
Era um grãozinho de Esperança
A decorar de alegria, á beça, todo dia,
O jardim de minh’alma sempre feliz
Desde seu desabrochar em minha vida,
Toda sorrisos... Vivacidade...
E plena de matreirice...  Jocosa!

-Seus olhinhos, ah, seus olhinhos eram...
E ainda o são, para mim, pura alegria a valsar.
(Embora de discutível inocência, também!)
Porém, eles, seus olhinhos, rasgadinhos...
Sempre brilhavam/ á beça, em qualquer situação
Que, por ventura ou desventura, se lhe apresentasse
A qualquer momento, fosse ele oportuno ou não.
Ou melhor: - Cintilavam... Lampejavam, sem cessar...
(A toda hora e em qualquer lugar...em que os fitasse.)
Como se fora eles, estrelas cadentes a rasgar os céus,
Brincando de pirilampos, em noite de luar.

-Ah, minha Quimera-menina não era, tão-somente,
Um simples fruto de minha fértil imaginação, não!
Ela, minha Quimera-menina, é, foi, e sempre será
Uma pessoa linda, valente e, totalmente destemida.
Pois, desde muito pituchinha, se impõe altaneira...
Como quem sabe que é gente capaz de escolher
Seus próprios quereres...
E, por conta disso, mesmo, ainda hoje, ela...
Minha Quimera-menina, muito alumia-me a alma
E o peito, assaz lembrador, deveras,
Que muito plangem de saudades...á beça,
Da infância dela em caminhada!

-Para mim, ela, minha amada... Quimera-menina,
Era, é, e sempre será a própria face, lampejante,
Do viver hoje e de um futuro assaz promissor, deveras!
- nem sempre pude acompanhar o passo a passo...
De seu encantador acontecer, em plenitude, a cada dia -
Pois sua inteligência, assaz curiosa e sagaz...
Desde bem cedo se deu a perceber...a olhos vistos.
Sem, contudo, se fazer de arrogada... Jamais!

-Mas o tempo galopou aligeiradamente,
E, minha pequena Quimera-menina, tão amada,
Após desabrochar-se em Quimera-moça, bonita,
Fez-se uma bela e batalhadora mulher-mãe, amorosa,
De dois bons e belos jovens...estudiosos e gentis,
Para o deleite de todos nós que a amamos...
Além do demais da conta sô!

RELMendes  30/03/2017




quinta-feira, 21 de março de 2019

Meu quarto rebento - benquisto - é um total alento


(A meu caçula Daniel Mendes)


-Filho, em minha envelhecência já presente:
- Tu és a luz que alumia-me os dias.
(Quer sol a pino, tarde escaldante ou noite fria)
- Tu és a mão que auxilia-me na travessia.
(Do meu muito caminhar, daqui prali e de lá pra cá!)
- Tu és o timoneiro que conduz o barquinho
    Da minha vida, ás vezes, á deriva...
(Timoneiro, assaz distinto, no trato a idosos, tu és!)
- Tu és aquele que se faz em mil pessoas
   Só pra acudir-me, a contento e a tempo,
   Em minha tantas necessidades,
      (médico hospitalares, passeios ect &tal)
   Por vezes, tão aporriantes...   Êta qui qua!
(Tua paciência, comigo, é dom de DEUS, sabias?)
-Tu és verdadeiramente, um cara do coração lindo.
(Isto desde que tu eras bem pituchinho!)
 Um punhadão de admiração por ti viu, meu Filho?

-Filho, meu amado quarto rebento...inquilino
Benquisto do coração deste teu velho pai poetinha...
Atentemo-nos!  (Ao que responderemos!)
Pois muitos hão de nos questionar, sem dúvidas:
- Mas que história é esta?
- Não há rusgas entre vocês não?
Então, dir-lhes-emos, sem hesitar:
- Mas evidentemente que sim!
- Um bate boca aqui, outro de novo...ali.
(Pouquinho tempo depois... ) Isto todo santo dia!
Entretanto, nenhum dos dois ( nem ele nem eu) dorme...
Sem antes se abençoarem, mutuamente, não obstante
Esses tantos aborrecidos arremedos diários, viu?

-Filho, meu amado quarto rebento, hóspede
 Querido do coração deste teu velho pai poetinha
Dá-me aqui tuas mãos amigas e generosas,
(Entrelacemos os dedos!)
E aquietemo-nos á sombra desta, paterno filial,
Amizade, que a nós transcende...ao terra a terra!

RELMendes – 19/03/2019


quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019

Ode Ás Mãos Falantes


-Ah, as mãos por vezes dizem mais que palavras!
Sabe por quê?
Porque elas as mãos falam no silêncio das carícias
E, sobretudo no silêncio das tentativas de busca
Do ainda totalmente obscuro.
Pois desde o nosso despontar no procênio da vida
Elas as mãos seguram-nos jubilosas e firmes.
(As do obstetra ou parteira, dependendo da hora)  
Logo em seguida as mãos da mãe nos acariciam
E apressadas conduzem-nos aos bicos de suas tetas
Para o nosso primeiro alimento fora das pastagens  
Do seu quente e aconchegante útero.
(Ó! Desde ao nascermos as mãos nos acariciam!)
Em seguida as mãos do pai jubiloso esfregam-se uma
A outra sem aquietarem-se um só instante sequer
A demonstrarem a vaidade e felicidade infindas do genitor.
(Ó! As mãos fuxicam sobre nosso estado d’alma!)

-Ah, as mãos por vezes dizem mais que palavras!
Sabe por quê?
Porque elas falam no silêncio das carícias
E, sobretudo no silêncio das tentativas de busca
Do ainda totalmente obscuro.
As mãos sempre antecipam-se ao nosso engatinhar buliçoso.
As mãos gente tateiam objetos ao ensaiarmos inquietos
Os nossos primeiros passos cambaleantes á beça.
As mãos durante todo o percurso da vida:
(de qualquer um de nós)
- Gesticulam além de toda maneira que se possa imaginar
Ora por bondade, como que dizendo carinhosamente:
- Vem cá meu benquerer dengoso, pois quero te adular agora!
Ora por malquerença, como que esbravejando irritadas:
- Vai pros raios que o partam ó enxerido abestalhado!
Ora hilários á beça, como quando furdunçam nossos cabelos
A cata de piolhos coceirentos na cabeça da gente.
Ora abusadamente indecorosos. Como quando dão um
Deselegante cotoco (mostram o dedo médio ) ao importunador...
E pronto!

-Ah, as mãos por vezes dizem mais que palavras!
Sabe por quê?
Porque elas falam no silêncio das carícias
E, sobretudo no silêncio das tentativas de busca
Do ainda totalmente obscuro.
As mãos pedem doam escrevem poesias aos montes
E incontáveis cartinhas de amor sem fim.
As mãos salientemente deslizam inquietas pelo corpo
De quem se ama ao delírio. Eta coisa boa meu Deus!
(Ó! Mas que danadinhas hein?!)
As mãos fazem quitutes deliciosos pra serem por nós
Saboreados no transcorrer do nosso dia a dia.
Enfim as mãos não cessam de falar jamais.
Ou melhor. Cessam sim! Quando exalarmos
O nosso inevitável: - Último suspiro!
Mesmo assim lá no esquife lá estão elas as mãos.
Gélidas. Cruzadas sobre o peito do morto. Primeiras
A serem vistas no contexto mórbido do velório.
Benditas sejam elas as mãos que com maestria
Dedilham sem cessar os teclados da vida.
Até que seus holofotes se apaguem...
Definitivamente, claro!

RELMendes – 19/02/ 2019


quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

O colhedor de flores e sua amada



Hoje colhemos flores. Juntinhos.
Eu transbordava-me de alegria.
Tu apenas admiravas-me a colhê-las.
O jardim espiava-nos fascinado.
Até dispôs-se a raptar-te.
Acho que imaginara seres tu
A flor que nunca o enfeitara ainda.
Ficaste encabulada com seu delírio.
De esguelha olhaste-me ressabiada.
E a sussurrar disseste-me:
Vamo-nos embora daqui meu amor?
A mim basta-me ser a tua flor!


RELMendes – 07/02/2019

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

Ainda acalento sonhos E por que não?


-Ainda acalento o sonho
De amanhecer-me
Beira mar. Mar zunindo.
Pés molhados
De ondas quebradas
No remanso do mar.
Boca salivando
Vontades de comer
Pitu caranguejo e peruá...
A beira mar. A beira mar.,

-Ainda acalento o sonho
De mais uma vez
(Ah quem dera!)
Voltar á terra onde nasci.
Brisa ventando maresia.
Cheiro de infância roubada.
Porque não tida. Não vivida.
Como hoje é pensada.
Mas foi abanada com leques
Ou ventarolas sopradeiras
Da brisa do mar buliçoso.
A beira mar. A beira mar.

RELMendes – 30/12/ 2018


segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

Matreirice Caipira, Uai!


-Ouvir ou escutar atento
As prosas debochadas
Do caipira deste Sertão
É bom demais da conta sô!
Promove até inclusão total viu?

-Caipira ou roceiro,
Como o queiram chamar.
O capiau catrumano não é nada
De besta não sô. Muito ao contrario.
Ele é assaz sabichão
E sobretudo dissimulado pacas!
Se ocê pensou que ele era abestalhado
Saiba que ocê mijou nas beiradas do orinó!

-Capiau catrumano ressabiado
(Aparentemente sofredor e atoleimado)
Mas na verdade é uma ave de rapina
Quiçá quem sabe um carcará
A espreitar a presa fácil e desavisada
Que dele se compadece, á beça
Que dele se aproxima...aos prantos
Sem se aperceber de sua esperta safadeza.

-Cuidado portanto com o caipira ou capiau
Porque ele é muito matreiro.Esperto á beça.
Se a gente der bobeira, ou se deixar levar
Pela sua conversinha mansa e manhosa á beça
O pobre e aparentemente triste capiau
Nos passa a perna sorrindo ( lá dentro de si.)
Sem hesitar por um só momento.
Sem sequer sentir pena alguma.
Nem tampouco nenhum dó
De quem ele por ventura com apenas alguns
Causinhos consternadores facilmente enganou
( completamente )
Bastando-lhe para tanto se fingir de coitadinho
Ou de um abestalhado simplório. Falou?

Montes Claros, 20-11-2011
(RELMendes)

segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

Quem é essa moça ai tão formosa hein?


-Se é uma moça bonita é minha neta
Nascida há alguns anos neste Sertão.
Mais linda que ela ninguém o é mesmo!
Nem mesmo as mimosas florzinhas   
Enfeitadoras das malhadas poeirosas
Desse nosso torrão. Eu acho!

-Se é uma moça faceira é minha neta
Nascida há alguns anos aqui neste Sertão.
Faceira que nem ela...ah é raro!
Somente os roseirais a florirem aos montes
Nas terras desta amada Montes Claros o são.
Ou os outros roseirais faceiros a florirem
N’outras plagas das inúmeras Gerais.
Como os da bela Ituiutaba do Triângulo.
Onde ela minha neta foi cuidadosamente cultivada
Vez que por lá vivem seus pais!

-Se essa tal moça faceira tem olhinhos de jaboticaba
- Quais fossem pérolas negras preciosíssimas
Que vez em quando reluzem nos meus olhos
A brincar de pirilampos em meu coração sorridente -
Saibam. Ela essa tal moça formosa que nem uma fulô
Do sorriso rasgado e bonito a fluir sem avareza
Que a mim e a muitos por decerto encanta á beça
É simplesmente a minha neta Jéssica Mendes.
A única neta deste longevo Romildão. O ancião versador
Desse amado e decantado Sertão tão versejado
Porquanto deveras tão encantador!

-Ora!Quiçá esse meu encantamento todo
Seja apenas por eu ser seu avô paterno.
Mas este avô ancião versador  sempre
Transbordou de amor por ela aos borbotões.
Ah! E transbordou de amor desde que ela
Sua bonita neta desabrochou faceira
- Nessa terra deste amado Sertão -
Como deveras faceira sempre desabrocha
Uma bela flor-mulher sertaneja.

RELMendes -15/01/2019

domingo, 13 de janeiro de 2019

Ou vai ou racha! Ficar só é só pra que gosta!


(mesmo assim de repente vez por outra ele se arrocha
ás escondidas nas quebradas da vida!)


-Sem saber por quê é quê é

(Como diria Guimarães Rosa)
Nem tampouco se deveria
Ainda assim disponho-me a ser
Seu amigo agorinha mesmo.
Embora desconfiadíssimo.  Viu?
Entretanto venha bem de mansinho
Senão me espanto e me arranco
Das bocas ligeirim ligeirim.

-Pois não pretendo jamais ser refém
De nem uma estrambelhada qualquer
Nem tampouco de quem queira apenas
Tirar umas casquinhas maneiras de mim
E depois largar-me cá transbordando
De saudade aos montes. Falou?

-Sabe por causa de quê que num quero ser refém?
Por causa que há quem diga a boca miúda
Ou afirme de mãos e pés juntinhos
Que a tal da saudade (Ah saudade!)
É um trem mas um trem tão malvado. É.
Que já matou muita gente mundo afora.
Mas se quem me quiser não importa a intenção
Vier bem de mansinho talvez eu tope a safadeza.
Pois se saudade mata a tal solidão extermina!

RELMendes – 13/01/2019




domingo, 30 de dezembro de 2018

Por vezes minh‘alma nubla-se de saudades


-Nublada está minh’alma inquieta!
Nada há por aqui que a acalante...
Vinhos? Há! Estes já não mais a aquiescem,
A contento. Não, nas frias madrugadas
Desse seu outono...interminável!
Nem mesmo servem para abrandar-lhe
Seus incessantes lamentos aos prantos.

-Nublada está minh’alma,absorta em lamentos.
Às noites sempre empanturra-se de saudades.
A passos trôpegos ela anda a cambalear
Pelas vielas de meu pretérito, distante...
(Em busca sabe- se lá do quê, ou de quem! )
Pois sabido é que, por lá, ela nada, ou coisa alguma,
Amealhou de mais valia, pra debulhar-se assim
Em tantas saudades...infindas.Eu hein?

RELMendes – 06/08/2018



segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

No Natal um amor inesperado pode deixar Nosso mundo um pouquinho mais encantador.


-Ora, não fique macambúzio não!
Até concordo contigo. O tempo de Natal
É muito propício á melancolia.
Ou seja. A saudade nesse tempo
Toma posse da gente sem pedir licença.
É assim mesmo. Sempre assim!

-Ah! Mas olha só,o mundo continua a girar
(Independentemente do nosso querer)
Rodeando-me sem cessar
- Não sei eu a troco de quê!
Rodeando-te pra ti espiar
- Bem sei eu a troco de quê!
Rodeando-nos á distancia
- Quiçá, pra não nos perder de vista!
Rodeando-nos curiosamente.
Qual carrapeta colorida a girar
Em chão de terra batida.
(“Eta que quá!)

-Então, lancemo-nos já, um aos braços do outro,
Demo-nos as mãos agora, entrelacemos os dedos,
(Sem hesitar nem um tiquinho sequer...)
E deixemos o mundo a nos espiar espantado.
Pois que ele, o mundo, fique logo sabendo:
- Qualquer tempo é bom pra se amar,
Inclusive até á sandice, ora!

RELMendes – 15/12/2018

quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

Vestir-me de mim mesmo É meu maior anelo!


-Então, de imediato, proponha-se a:
- Desvestir-se da esdrúxula
  Ostentação tão em voga.
  Ela é pura fantasia.
- Saber-se único ( no universo)
  É um dilema.
  E sentir-se nascido
  Para amar é outro.
- Fazer-se total empatia
   Pelo caminho...é sina!
- Navegar-se até obter-se
  É inegociável!
- Óh! Coisas profundas!
   (- Pra su’alma de criança. - )

-Mas o que é vestir-se de si mesmo?
Ah! É apenas preparar-se
Para dar-se totalmente a alguém
Que nos queira bem, de verdade!

RELMendes – 06/12/2018



segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

Dar-se um tempinho


(É afagar-se!)



-Pensar em si.
Só um tiquinho!
Quem sabe?
Mas estar consigo...
Só consigo.
No âmago de si.
Ainda que só
Vez por outra.
Pra escutar-se
E possuir-se.
Nada além!

-Aternurar-se
Descaradamente
Sempre que o quiser
Pra não largar-se
Ás traças jamais...
É afagar-se!

-Degustar-se á beça.
Por momentos
Horas e quiçá dias até.
Isto é afagar-se.
Isto é querer-se bem.

RELMendes – 08/12/2018



sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

Quem sabe entreter-se consigo, mesmo, possui-se!

(O sertanejo é mestre nisto!)




-Quem ás vezes distrai-se consigo mesmo:
- Cantarolando por aqui e lá acolá também
No batente da porta de sua casinha na pracinha
No pasto ou mesmo num botequinho qualquer
- Volteando o seu quarteirão, a pés em chão,
Assoviando que nem passarinho desengaiolado
- Sorrindo ou gargalhando pra qualquer um...
Espalhando assim uma baita alegria sertão afora
Namporta se ao amanhecer, sol a pina, ou anoitecer
E só volta ou retorna á sua vivendinha ou lar
- como ao convívio dos seus também -
Quando assim bem o entender...ou quiser!
- Desde que após o silenciar de sua viola plangente!-
É por isto que ele por decerto já é posseiro de si.
Quiçá um boêmio ou talvez apenas artista sertanejo!
Isto pra mim é que é viver uma pá de liberdade!

RELMendes – 05/11/2018


segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

Coisinhas que se precisa bisbilhotar


(Este poeminha,  fiz-lo pra quem o ler!)


-Ninguém conhece as marmotices

Nem tampouco as bestagens de alguém
Se não toma de conta delas... Ora!

-Como tomar de conta delas sô?
-Tal atitude não é bisbilhotar
O sagrado da vida alheia?

-Não! Não é não!
Falo de tomar de conta apenas
Daquelas coisinhas graciosas:
- Que se escreve pra quem as quiser ler
- Que se fala a brincar contente
- Que se pensa alto de propósito
- Que se faz pra alegrar alguém...

-Falo, portanto, de tomar de conta
Apenas de coisinhas pra alegrar
A vida de quem precisa sorrir viu?!

RELMendes -26/11/2018



quarta-feira, 28 de novembro de 2018

Toma termo linguarudo... Insignificâncias, todos as temos!

(Cresçamos juntos então!)


-As insignificâncias da gente
São tão acintosas...a todos!
Mas somos tão apedeutas deveras
Que só as perceberemos aos montes
Se nos tornarmos deveras humildes.
Pois só juntos ah, nos significamos!

-As insignificâncias da gente
São tão aberrantes...a todos,
Mas somos tão presunçosos deveras
Que só as perceberemos aos montes
Se nos tornarmos deveras atentos
Espiadores das muitas gentilezas
Daqueles que nos acercam
E nos abarcam no dia a dia
Sem nos constranger jamais!
Pois só juntos ah, nos significamos!

-As insignificâncias da gente
São tão transparentes...a todos,
Mas somos tão insolentes deveras
Que só as percebemos aos montes
Quando alguém mais arrojado - por algum
Motivo, inspiração, ou benquerer, quiçá -
Ousa surpreender-nos ao apontá-las, a nós,
Através de gestos explícitos, de generoso acolhimento
E muita bondade para conosco, mesmo em sendo nós
Como e quem, na realidade, o somos:
- Nada mais que criaturinhas plenas de insignificâncias!
Mas juntos ah, nos significamos, e muito!

RELMendes – 28/11/ 2018



domingo, 25 de novembro de 2018

O bicho homem é um caso a pensar


(Êta que quá! Nem sei se hoje é bom se pensar!)



-A onça mora no lajeado
Fareja por toda parte sua comida.
-A cobra desliza astutamente
Em busca de seu alimento.
-O carcará no sertão pega mata e come
Pra equilibrar o ecossistema.
-Mas o bicho homem furdunça em todo lugar!

-Quando inimigo se disfarça de cordeiro
Abriga-se e estrambrelha o teto que o acolhe
Na maior cara de pau. Sabe por quê?
Ainda não se aprendeu a identificá-los
Entre os mais próximos da gente:
- Os consangüíneos, ou mais os chegados!
- Caim matou Abel. Faz tempo!
- Jacó ou Israel surrupiou
A primogenitura de Esaú. Né d’hoje!
- Davi mandou matar Urias
Seu melhor amigo, de todas as horas,
Pra se apossar da mulher dele:
- A tal Bersabeia! Que sacanagem!
- Judas Iscariotes  vendeu “Jesus”
Por trinta moedas de prata. Pode sô?
-Filhos(as) atualmente ou desde sempre 
Surrupiam os pais, sem constrangimento,
 E depois pasmem abandonam-nos em asilos.
Dá pra entender?

- Um certo povo aí de uma  tal “Terra Brasilis”
Deixou-se levar de repente pelas malditas  fakenews
E escangalhou sem pena nem dó com o país inteiro:
 - Pois até professores por incrível que lhes pareça
Serão daqui pra frente apenas papagaios falantes.
Pois há quem queira por ai afora no momento
Que eles d’ora avante não mais possam falar ou
Apresentar a seus diletos aluninhos
Seu discurso em prol dos direitos humanos!
Eu já vi essa merda outrora!

-Os apedeutas? Ah, eles sempre confundem
A generosidade e a bondade da gente
Com pura ingenuidade, ledo engano!
PUTZGRILA! Verdadeiramente
O bicho homem é um causo a pensar!

RELMendes – 25/11/2018

 · 

quarta-feira, 21 de novembro de 2018

Sou negro e não nego!


Sou negro e não nego!



-Sou negro!
Não há como negar isto!
Embora eu não tenha
Cabelos encaracolados
(Que pena!)
E minha pele seja desbotada
(Que lástima! Eu quereria tê-la negra
Como uma graúna!)
Pois sou fruto da miscigenação!
Sou negro então ora bolas!
Isto é fato em mim meu!

-Sou negro!
Não há como negar isto!
Meu avô paterno
Era negro!
Minha vó materna
Era negra!
Falo neném
Dou calundu
Sou dengoso
Danço samba
Amo batuque
Dizem até que sou
Filho de Xangô olha só!
Gosto de feijoada...
Sou negro então ora bolas!
Isto é fato em mim meu!

-Sou negro!
Não como negar isto!
Minha falsa branquitude
É pura ilusão de ótica
Vez que minhas gengivas
São rochas que nem fulô
De maracujá.
E as minhas ventas então?
Ah, essas são bem avantajadas!
Sou negro então ora bolas!
Graças a DEUS!
Isto é fato em mim meu!

-Sou negro!


RELMendes – 20-11-2018