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quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Filigranas Cênicas

     (Reflexões de um homem de teatro)

-Então minha gente de teatro
Vamos lá ver
O que tenho a lhes dizer!

-O que será que seria fazer Teatro?

-Ah! Fazer Teatro é a arte de rebordar
Lindos momentos da vida
Que a própria vida por isso ou aquilo
Não se importou em fazê-los tão belos,
Quanto na realidade o são.
Portanto... caberá também ao Teatro
Tão delicada tarefa!   

-Por que um texto literário
É tão importante para o Teatro?

-Ah! Responder-lhes-ei agorinha mesmo!
Creio que quem leia o texto abaixo
Obterá a resposta desejada.

-O Teatro e o texto
São parceiros inseparáveis  

-Derepente.... literalmente, derepente
Sabe-se lá porquê
Quiçá por isso e aquilo
Em mãos chega-lhe um texto.
Texto esse que há tempos
O homem de teatro
Procura... deseja
E ansiosamente espera
Então ledo, ao recebê-lo o devora
Tal qual se fora o texto
Uma deliciosa moqueca de pajuari...
Que estivesse no momento a degustar
Gulosamente...ora!

-Então...
Após lê-lo relê-lo ruminá-lo
Por vezes e mais vezes
Enfim o decifra...totalmente,
Tim tim por tim tim!
E por conta de tanto encantamento
Logo se põe... teatralmente,
A montá-lo a coreografá-lo
E a interpretá-lo avidamente
Para só depois e tão-somente,
Ofertá-lo ao encantamento
Do público sedento por arte.

-Inicialmente...logo após lê-lo  
O homem de Teatro
Perde-se em devaneios e sonhos
E dá asas à sua rica imaginação
D´ora avante então
Até que se materializem
Tantos devaneios e sonhos
-Aguçam-se os seus sentidos interiores,
-Desnudam-se... na cabeça dele,
Fascinantes personagens...
-Bordam-lhe a mente
Cenas e mais cenas inusitadas
-Idealizam-se cenários exuberantes
-Sucedem-se mentalmente
Estafantes ensaios etc etc...

-Entretanto...logo em seguida,
Ele se defronta com a realidade
Nua e crua...
Porquanto incontáveis
Serão as dificuldades
Para uma realização
De tal monta:
-Buscas e buscas atrozes
De patrocínios minguados...
De atores e de atrizes de difícil trato,
E de espaços apropriados
Onde se possa ofertar o espetáculo  
À apreciação do público etc etc...

-Mas todavia contudo entretanto
O homem de Teatro não desiste jamais
Da exaustiva montagem da peça
E determinado insistentemente persiste  
Em busca da gloriosa apoteose
Porquanto para ele...
Vamos dizer assim,  
Nela se escondem os aplausos,
A grande retribuição esperada
A seu prazeroso ofício.

Por fim...
No ápice apoteótico do espetáculo:
-Curvam-se gratos os atores e atrizes
E o público satisfeito explode
Em calorosos aplausos...
-Apagam-se os brilhantes holofotes
-Cerram-se as pesadas cortinas
E o homem de teatro sai...
Sorrateiramente anônimo
E desaparece na multidão...
A transbordar a sensação
De dever cumprido
Até a próxima apresentação.

Então, deu pra entender
A relação imprescindível
Entre um e outro?

Montes Claros, 11-11-2012

RELMendes             

domingo, 11 de novembro de 2012

Que Epifanias ocorram, antes da Parusia!...

 

  Se estiveres atento
 Perceberás...
Que no Kairós
Ocorrem surpreendentes Epifanias,
A todo instante...
E em qualquer lugar:

-Á beira de um poço,
 Quando a sede queimar os teus lábios,
 E um copo d’água alguém te ofertar...   (Jo 4,1s)

-Na sarça ardente da saudade,
 Quando alguém te ofertar uma boa palavra  
 Para aliviar a dor do teu coração... ( Ex 3,1s)                                           

- No sofá quando esparrachado
  Leres um livro, ou ouvires uma canção...
  Para desacelerar a ligeireza do cotidiano,
  E, de repente, sentires arder teu coração...          (Lc 24,32)

-Quando uma inesperada rajada de vento
 Trouxer à tua memória ternas lembranças
 Que não sabes por que te acalentam...            (Jo 3,8)

-Se estiveres atento
 Ouvirás o terno sussurro...
 Do “Divino Ruá,”
 A ordenar-te:   

- Sai da tenda!...
-Contempla o firmamento
  Revestido de alegria!...
-E por fim,
  Peço-te a gentileza
  De saborear estes momentos...
  (de doce revelação divina)
  Que antecedem à gloriosa Parusia!...

Pistas que decifram
O mistério de algumas palavras:
Kairós ( Tempo de Deus),
Epifania ( manifestação do Senhor);
Ruá ou Ruah ( Pneuma ou Sopro Divino);
Parusia ( Volta do Senhor)...

Montes Claros(MG),  27 -12-2011
RELMendes

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

A Vai Vai, sempre brilha!... ( 2012)


Um grito de alegria e apreensão,
Anuncia o início da evolução:
Olha a “Vai Vai” ai gente,
Olha a Escola do coração!...

Naquele ano de folia,
Mulheres que brilham,
Mulheres que sempre brilharão,
É o tema do enredo dela,
É o tema da sua canção!...
                                                                               
Um apito ordena o rufar da bateria,
Que, de imediato,
Obedece à batuta do maestro Tadeu,
Que faz pulsar alegre,
O coração da “Escola”!...

A espalhar brilho e alegria,
Começa assim a magia
Da sua apresentação:

-Repicam os tamborins;
-Roncam as sonoras cuícas;
-Rodopiam as lilases saias
  Das veneráveis baianas;
-Requebram abusados
 Os quadris malemolentes
 Das desnudas cabrochas ,
 E acelerados se movimentam...
Os graciosos adereços!...

Sob forte ovação,
Prorrompe a “Escola”...
Sua fabulosa evolução:
-A anteceder o abre-alas,             
 A graciosa comissão de frente
 Invade corajosa,
 A iluminada passarela!...

-Por entre as variadas alas,
  (Valsando como alados colibris),
  Os galanteadores mestres-salas
  Cortejam acintosos
  As deslumbrantes porta-estandartes,
  Que também no asfalto esvoaçam,
  (Como andorinhas aos pares),
  Fazendo tremular garbosas,
  As sagradas bandeiras da “Escola”!...

-Como se fora
 Uma pororoca de emoções,
 Prossegue sem interrupção
 A  “ Escola” ,sua magnífica evolução!...
 Nomes de mulheres que brilham
 São lançados ao léo,
 (Como se fora confetes alegres),
 E flutuam... flutuam... flutuam...
 Por entre serpentinas multicoloridas,
 A forrar o leito chão da passarela,                      
 Por onde se derrama o rio “Vai Vai”...
 Rumo ao mar da dispersão!...   

É a “Vai Vai” da alegria!...
É a “Vai Vai”:
Sambando!... Cantando!...
A revelar na passarela,
O brilho histórico
Das mulheres brasileiras!...
        


Montes Claros (MG), 18-02-2012
RELMendes



quinta-feira, 1 de novembro de 2012

O melhor veio de Nazaré!...

  (Jo 1,43-51)



Que bom, Natanael,
Que “Ele” te qualificou
Como um verdadeiro
Varão de Israel!...

Que bom, Natanael ,
Que ao ler a “Palavra”
Eu tenha te encontrado a caminhar
Com “Ele” em Nazaré!...

Que bom, Natanael,
Que com humor
Tenhas Perguntado a Felipe:
“Porventura, será que algo bom
  Pode vir de Nazaré”?!...

Que bom, Natanael,
Que o teu companheiro
(Por Ele já seduzido, Jr 20,7)
Não hesitou...
Em ti retrucar ligeiro:
  “Vem e vê”!

Que bom, Natanael,
Que foste ver
O melhor de Nazaré,
Pois só assim
Tiveste a oportunidade  
De ouvi-lO dizer:
“Eu te vi sentado
  Embaixo daquela figueira,
  Antes que Felipe te chamasse “...

Que bom, Natanael,
Que (surpreso e extasiado)
Proclamaste a tua linda
Profissão de fé:
  “Tu és o Filho de Deus!”

Que bom, Natanael,
Que “Ele” tenha querido te revelar
O mais resguardado segredo
(Que por certo no céu há!)
Antes mesmo do dia
Em que irias para sempre
Lá no céu O contemplar:
“Verás o céu aberto
E os anjos de Deus,
Subindo e descendo,
Ao Filho de Deus adorar”!


Montes Claros(MG), 02-01-2012
RELMendes