Total de visualizações de página

sábado, 29 de setembro de 2012

Ouvindo o alvorecer do sertão!...




O sussurro do alvorecer
Faz-se poeticamente escutar...
Ao pressentir os primeiros raios de sol...
Que ameaçando rasgar o firmamento...
Irão apagar as estrelas.
Estrelas...
Candelabros à noite acesos
Para pontilhar de luz a escuridão noturna
Que o peregrino extasiado
Insiste em contemplar
Mais um pouco ainda...

Então...
Prorrompe o sussurro do alvorecer
Impondo o limiar de um novo dia...
Anunciado pelo orquestrar de vozes de animais:

Soa o cacarejar, paulatino e impertinente, do galo...
Multiplica-se o pipilar de pardais irrequietos...
Zune compassado...
O chilrear de periquitos...
A esvoaçar sincronizados,
No horizonte sem fim...
Intensifica-se o guinchar dos suínos famintos...
E o mugir melancólico dos bovídeos...
E de imediato,
Cessa o coaxar dos sapos,
Que resilientes, se ocultam...
No sombreado de grossas folhas sobrepostas,
Ou seja, nas hastes das multicoloridas bromélias...
Transbordantes de sereno recolhido.

O sol abusado...
Ao clarear o horizonte infinito...
Forçou a partir a noite   
Que ao fugir...
Abandonou nas pontas do verde capim
Minúsculas gotas brilhantes de orvalho...
Talvez lágrimas transparentes de sereno...
Ou apenas rastros delicados
De quem, de súbito,
Forçada teve que se retirar
Mesmo sem desejar partir...

Agora instalado o dia...
Debruço-me nas asas da imaginação...
E deixo-me palmilhar trilhas iluminadas...
Por entre touceiras de girassóis...
Dourados e dourantes,
Que balouçam desconjuntados
Ao sopro da frígida brisa matinal....
                                                                                 
Montes Claros(MG), 15-09-2011
RELMendes



sábado, 22 de setembro de 2012

Devaneios Poéticos



Ao tentar poetizar lembranças
Logo me remeti à distante infância
Onde pude ruminar recordações diversas...

Com delicada leveza,
Deslizei cuidadosamente
Por entre aqueles retalhos de vida
Receando ferir-me novamente.    

Remeti-me às verdes pastagens
Lá do distante “Triângulo Mineiro”
Tantas vezes por mim outrora percorridas...
Cheguei até a arranhar
Breves momentos de rara ternura:
 Lembrei-me do cheiroso capim orvalhado
 (molhadinho de sereno à noite evaporado)
A exalar um incontrolável odor de esperança;
Ouvi o chalrear de periquitos irrequietos
Agasalhando-se  nos topos dos coqueiros;
Escutei o palrear de papagaios barulhentos
Ecoando do alto das imponentes macaubeiras
E o grasnar estridente das belas jandaias
(Daquelas terras de lá)
A anunciar o limiar lento do novo dia...         

E dessa noite que findava
Silenciosa e escura,
(Que também lenta se foi esvaindo)
Só me recordo de ter sorvido
A luz fraca do bico aceso da velha lamparina,
(Que mal iluminava o sujo cômodo!)
E a imagem tosca de uma desarrumada alcova
(Que alcoviteira se ofertava generosa)
À espera da eclosão
( quase violenta)
De um roubado ato de amor efêmero...  


Ao despertar desses fascinantes devaneios...
Rompi apressado
Com essas imagens do passado,
E ligeiro pus-me a tecer o futuro
Que embora ainda escondido
Proponho-me a revelar agora:
“Lutar, cantar, amar e calar”... sempre!  

Montes Claros(MG), 14-06-2010
RELMendes



domingo, 16 de setembro de 2012

Flores do Araguaia

 (desabrocharam no asfalto do meu vadio peito!)

-Desvestido de inspiração alguma
Tentei aplacar a ira
Da silenciosa musa.
Abri a janela de minha varanda,
E pus-me a contemplar...
A belezura de um ipê lilás,
(Que daqui...bem se pode
vislumbrá-lo... Extasiado!)
Só para instigar a musa
De alguma maneira.

-Então, logo prorrompi...
Em ternas lembranças
Que...ao fluírem borbulhantes
Como um rio caudaloso,
Fizeram-me  resvalar...
Por recordações sem fim:
-A decida íngreme da rua Caiubi,
-A porta fechada...que durante anos abri,
-O apartamento aconchegante,
Onde por anos vivi...
Revestido de flores silvestres,
E orvalhado pelo frescor
Do Araguaia distante...

-Flores...mulheres boníssimas,
Presentes em meu caminho,
Que sempre...ao amanhecer,
Douravam-se de ternura...e gentileza
Para acalentar-me os irrequietos dias...

-Flores...mulheres generosíssimas,
Presentes em meu caminho,
Que...sempre ao anoitecer,
Sob o clarão do luar,
Permitiam-se...a si mesmas,
Pratearem-se de alegria...
Só prá alumiar-me os rastros...
De meus desvairados sonhos,

-Flores...mulheres amorosíssimas,
Presentes em meu caminho,
Que...ainda hoje e quiçá sempre,
Irão perfumar-me os dias...
De saudades muitas...

-Ah! Minhas amadas mulheres flores silvestres
Do Araguaia distante...  Quanta beleza!...
Quanta saudade escondida!...   
   
Montes Claros, 04-07-2010

RELMendes

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Enigma


Ser como sou...
Carisma!
Alegre ou triste...
Eterno fingidor!
Se amante...
Pronto galanteador!
Se poeta...
Sagaz sonhador!
Se contemplativo...
Audaz adorador!
Se odeio...   
Sutil gozador!

Ser como sou
Poeta pintor profeta
Crente ou criatura
É um dilema!...
Serei eu um enigma?!
Ah, quem dera!
    
São Paulo(SP), 18-04-1986
RELMendes



sábado, 1 de setembro de 2012

Mais uma vez a primavera!...





Que se vá o inverno,
Que se dissipe a saudade,
Que nos surpreenda a alegria,
Que se acheguem ternas as flores,
Que desabrochem alvos lírios,
Que pássaros musicalizem o espaço,
Que rosas perfumem os altares do peito,
Que acolhamos alegres o outro
Que se achega ressabiado,
Que miosótis inspirem poetas,
Porque alguma coisa me diz
Que já voltou a primavera...


Montes Claros, 02-09-2012
Romildo Ernesto de Leitão Mendes