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quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Desvairada transparência




-Quando estou como estou agora
Pássaro ferido de amor
Não silencio nem me escondo
Posto que declamo esse amor
Em versos poemas ou poesias
Em qualquer esquina que paro
Para quem quiser me ouvir
Nem postergo o seu conhecimento
Para depois de amanhã
Posto que agora em um botequim qualquer
Declino-o sem pundonores algum
Para que todos saibam antecipadamente
A qualquer especulação duvidosa   
Que estou pássaro ferido de amor

Então por favor
Lancem depressa por ai afora
Quem sabe quiçá ao vento
Ou quiçá à boca miuda
Todos os versos ou os versos todos
Todas as palavras ou as palavras todas
Desse nosso poema de amor
Ou de uma paixão desvairada
Que só nós dois é que sabemos
O quão ele é plenamente intenso
Posto que o vivenciamos agora
Quão ele é impossivelmente eterno
Posto que ele é certamente finito
Porem desconfiamos profundamente
Que certamente ele se esconderá
Nos desvãos de uma saudade infinda
Vez que nesse nosso então
A nós nos enche de contentamento
E de um inenarrável prazer sem fim.

Montes Claros, 18-10-2012
RELMendes         


quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Colhendo delicadezas ...

                                                           ( do dia a dia)


-Ao atentar-me do galopar da vida...
Percebi que os dias se esvaem ligeiros,
À parecença d’água pelas mãos recolhida
Que goteja...rápida e despercebida,
Por entre os vãos dos dedos entreabertos.
                                                                                    
-Então... Antes que a finitude da vida
Determine o término de meus dias,
  (sem nenhum escrúpulo!)
Vou tratar de sorver...ávido,  
Cada momento alegre da vida
A ser vivido...

-Ah! Doravante...então,
Cerzirei...apressado,
Todos os retalhos de alegria...
Para conseguir, rapidamente,
Fustigar coisas “miúdas”
Que me impedem degustar o regalo
De envolver-me, totalmente,
Naquela colcha de ternura
Que...a cada dia, embrulho-me.    


Montes Claros (MG), 19-01-2012
RELMendes                                 




quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Quem será a inesquecível garota de Sacramento?


-Quem imaginou que eu nunca amei
Lá no meu distante pretérito...
Se enganou... Profundamente!

-Ainda ontem, mesmo,
Deliberadamente,
Resolvi passear por lá, no meu pretérito,
E qual não fora a imensa surpresa...
Ao depara-me com a silueta...fascinante,
Da bela e inesquecível menina-moça...
Da amada cidade de Sacramento,
Que...lá na adolescência,
Fora o meu primeiro amor...

-Ah! Talvez esse amor fora...apenas,
Um belo devaneio de criança...
Cujo nome eu não pretendo declinar, agora,
-Talvez, tenha sido...apenas,
Um intenso amor pueril que fluiu discreto,
Porque quase tão-somente... platônico,
-Ou, talvez, tenha sido...apenas,
Um sagrado segredo de menino-rapaz
Que...lá em Sacramento vivenciei,
Quando ainda na infância...

-Mas quem será, mesmo,
Essa inesquecível garota de Sacramento?

-Ah! Só nós três (eu ela e seu acordeom)
É que sabemos: - quem ela é,
- Qual o seu nome...
- Qual o endereço de sua residência e etc e tal!
E porquanto... tamanho seja o segredo,
Tenho cá comigo que... Nem eu... Nem seu acordeom,
E nem tampouco ela, desejamos revelar-lhes...
Tão terno segredo.

-Ora!... Ela era quase um bibelô,
Ofegante de amores por mim...
Só não o via quem de invejas tantas...
Esgueirava ligeiro seus curiosos olhares...
E porquanto era muito bem resguardada,
Por três cuidadosas aias...(Vestina etc etc...)
A nos espiar...sorrateiras e desconfiadas,
Dificilmente, trocávamos carícias mais intensas
Vez que as benditas aias não nos davam trelas...
Para que eu pudesse surrupiar...
Daquele precioso projeto de futura mulher...
Alguns abraços acochados...
E muitos beijos apaixonados...

- Mas...sem pundonores algum, confesso-lhes:
 - Eu me perdia em olhares suplicantes
Em suspiros ofegantes...
E em desejos libidinosos...
Que...por  aqui, não os ouso mencionar... Jamais!
Todavia, não obstante tão grande encantamento
(Cá entre nós, paixão assustadora mesmo!)
Nem ela... Nem eu... Sabemos
O que foi feito de nós...enfim.

-Entretanto, enquanto por aqui eu estiver... 
Não pretendo jamais me esquecer
Nem dela... Nem de seu acordeom e nem tampouco
Da bela Sacramento d´outrora...
Que tantas saudades ainda me traz.


Montes Claros, 26-01-2012
RELMendes