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terça-feira, 8 de maio de 2012

Dalira...


( uma sertaneja guerreira!)...
  
                      
Para se bordar um poema
Que descreve em versos
A imagem densa e terna de Dalira,
( uma valente sertaneja!)
É preciso ser curioso,
Estar atento,
E recolher...
Nas conversas dos filhos,
Parentes e amigos,
Retalhos de sua vida
Que sejam referências
Para se tentar esboçar
Um esfumaçado perfil literário
De tão guerreira mulher...

Secundária dentre as quatro filhas fêmeas de seu Nego,
Que era pai de mais sete filhos machos,
Dalira era uma cunhã de latente formosura,
Como tantas outras flores do agreste pacuiense.
Dalira era só um cadim de gente,
( no tamanho!),
Mas um mulherão de coragem
Na lida cotidiana
E na lealdade à família.

Ainda muito jovem
( pela belezura conhecida)
Seduziu o ciumento, Santos dos Santos,
Um faceiro rapaz sertanejo de São João do Pacuí,
Com quem conviveu até o final dos dias
Que a vida a ela concedeu,
Pois era mulher de um só homem,
Pra felicidade do sortudo marido!...

E para alegria do dito companheiro,
Seis filhos, Dalira lhe deu:
Zé, Beire, Kela, Lilo, Deo e Daniel,
Sem contar um tantão de netos
E o Marlon Gabriel,
 Bisneto que não conheceu.

Como Cora Coralina
Que quebrou pedras e plantou flores,
Se há gratidão em algum coração,                                
Também há quem ainda se lembra
De que Dalira quebrou coco de macaúba,
Plantou flores em torno da casa
E no quintal hortaliças...                                                                          

Versos...
Ela não os escreveu no caderno,
Mas os anotou e os bordou
Na memória e nas lembranças
Daqueles que a conheceram.

Criou os filhos dela,
E os dos outros também!
Partilhou sua casa,
( acolhendo nela. parentes e amigos),
Costurou!... Costurou a vida inteira!
( Pra poder alimentar a prole dela...ora!)                                                                         
Eis ai a saga de uma mulher
( valente e guerreira!)
Que conheceu a tristeza,
A felicidade e a alegria
E depois de muito lutar,
Adormeceu profundamente,
Deixando-nos muitos legados
De generosidade e sabedoria,
E uma saudade sem fim!...

Montes Claros(MG), 24-04-2012
RELMendes



sexta-feira, 4 de maio de 2012

Ficar, a troco de quê?!...



             ( se é PRIMAVERA!!!)







-Ficar a troco de quê...
Se só quem ousa mudar
O percurso do destino...
É quem quiçá tem a chance
De correr o risco de ser feliz?...

-Então... Despir-me-ei da arrogância,
E revestir-me-ei de envolvente ternura...
Só pra correr atrás
Dos meus lindos sonhos...

-Então...
Ao invés de eu querer ensinar,
Dispus-me a ser aprendiz
Da arte do bem conviver...
Só pra correr atrás
De meus ardentes sonhos...

-Então...
Lancei fora o medo de evadir-me...
E desvencilhei-me de tralhas inúteis,
Só pra perseguir
Meus acreditados sonhos...

-Então...sem pestanejar,
Passei mão na cachorrinha,
Em meu filho...um bom companheiro,
E sai...a pés em chão por aí afora,
Em busca de novos amigos,
De uma boa prosa...
De um colo acolhedor,
E de um tão anelado aconchego.

-Então...
Depois de navegar...por anos e anos,
Atraquei meu barquinho...cheinho de sonhos,
Num porto quase encantado...
Porto desvestido de frívolas aparências,
E repleto de abundantes mistérios
Que vão aos poucos se revelando,
No cronos dos já antigos posseiros...
E não, no tempo, dos recém chegados forasteiros...

-E por fim, se...nesse porto imaginário,
Eu e meus companheiros de caminhada...
Pudermos contemplar estrelas reluzentes,  
E se...nele, seu luar prateado nos iluminar contente,
E se...nele, a vida nos permitir viver
Toda sorte de ingênuas estripulias...

-Ah! Aí, então...  Fincaremos lá
Definitivamente, as estacas
De nossa acolhedora tenda!...

Montes Claros(MG), 22-04-2012
RELMendes