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terça-feira, 12 de junho de 2012

Não se vá pra Biribiri...

        (Bochicho poético entre mim

          e a poeta Maria Telles)
-Veja só!
Num suspiro profundo
Desnuda-se a alma da gentil poetiza,
Que logo se expôs abusada
A nos revelar seu oculto desejo
Com um desabafo eloquente:

-Ah! Tenham por certo que
Vou-me embora pra Biribiri!
Nem que por isso pagar
Com lágrimas o preço... tenha,
Vez que meu grande desejo
É só correr atrás de lindos sonhos,
Ainda que possíveis devaneios...

-Por ser muito enxerido...ó gentil poetiza,
Vou dar-te um abusado palpite:
Não se vá pra Biribiri...
Sem antes muito refletir!
A não ser que queiras te arriscar
A sofrer de muitas
Dolorosas ausências...

-Ah! Não há porque duvidar!
Vou me embora pra Biribiri
Pois lá terei poéticas inspirações,
Alimentar-me-ei de sublimes devaneios
E por decerto tecerei muitos versos
A beira de um lindo riacho
De orvalho fresco

-Ora! Por ser eu muito metidiço
Ó gentil poetiza,
Vou dar-te, com eloquente certeza,
Um ousado e sábio alerta:
Não se vá pra Biribiri
Sem antes muito refletir!

-Pois...pra se ir embora pra Biribiri,
Tem-se que se desvencilhar
De um tantão de coisas:
-Do nicho aconchegante,
-Das tralhas amontoadas
Pelos cantos,
-Das noites barulhentas
Que escondem o silêncio
-Dos “ belos dizeres
De tantas vozes carinhosas”,
-Dos vestidos enxovalhados
Que...ao corpo,
Tão bem se ajustam,
-Das ternas lembranças
Que como flores
Foram colhidas
Com o passar do tempo
Pelo caminho...

-Enfim...se pra se partir
Pra Biribiri
De quase tudo
Abrir mão é preciso
Parece-me muito caro
O preço então cobrado...ora!

-Ah! Mas...não há nada no mundo
Que a mim possa deter-me
De ir pra Biribiri... ora!
Vez que a estrada
Que pra lá me conduz
É de pertença só minha
E o desejo de evadir-me pra lá
Tornou-se para mim...mania!

Bom! Se assim é
Pois então que se vá!
Eu entretanto
Ficarei por aqui
Chupando araticum
E roendo pequi
Ansioso a te esperar... ara!

Montes Claros (MG), 08-06-2012
RELMendes

terça-feira, 5 de junho de 2012

No meu jardim flor tem nome de mulher!...



Ó valha-me Deus
Valha-me Nosso Senhor!...

Ah! Não te assuleres tanto!
Se o jardim é meu...
Dou às flores o nome
Que eu bem quiser!...
  
Na eternidade...
Conto com santas mulheres:
- Maria, a Theotokos...
que como filho me adotou,
- Rita, que...nas aflições,
sempre me socorreu...
- Lindalva...a beata mártir nordestina,
Que pela coragem me fascina...
- Alexandrina e Zeneida,
Que no colo me embalaram
E...com muito carinho,
Nele me acalentaram...

Ó valha-me Deus,
Valha-me Nosso Senhor!...

Ah, não te assuleres tanto!
Se o jardim é meu...
Dou às flores o nome
Que eu bem quiser!...

Em minha desvairada juventude,
Outras belas mulheres se instalaram
No meu vadio e inconstante peito:
Claro, cada uma a seu modo...
Cada uma do seu jeito!...

- Lúcia, Mariá e Camila
Foram três paixões...inflamadas,
Três paixões...desordenadas,
Mas todas...tenham por certo,
Valeram à pena
 E foram intensamente vividas!...

- Zélia, Vanda e Ita
Fizeram-se robustos suportes
De minha suposta fortaleza...
Porque me acolheram
Com ternura bondade
E singular firmeza...
Bem como me ensinaram que:
“Quando se cai...          
A gente levanta
Sacode a poeira
E dá a volta por cima”...
Pois a vida é um dom a ser vivido,
E viver é bom demais da conta!

Ó valha-me Deus,
Valha-me Nosso Senhor!...

Ah, não te assuleres tanto!
Se o jardim é meu...
Dou às flores o nome
Que eu bem quiser!...
  
Já na varanda de minha velhice...
- Angélica, Tânia Raquel, Dena,
- Letícia, Lígia, Liege e Maria Luiza...
Todas essas belas flores-mulher
Muito me inspiraram...
Pra que eu pudesse bordar
Versos...
Cheinhos de gentileza...
E de belezura repletos!...

Ó valha-me Deus,
Valha-me Nosso Senhor!...

Pronto! Bem que eu te disse:
Não te assuleres tanto...
Pois sendo meu o jardim,
Dei às flores o nome
Que eu bem entendi!

Montes Claros(MG), 31-05-2011
RELMendes




quarta-feira, 30 de maio de 2012

Sertão Sedutor



Assunta só!...

-Melancólico/ à beça/
Não sei eu bem o porquê...
Ponho-me a escarafunchar
Vínculos /de há muito/com o sertão!
Nem sei/ eu/tampouco//por que
Persisto... em viver aqui...
Nesse tão lindo e sedutor sertão!

-Assunta só!...

-Ôxe!Tá me saltando da boca/nesta horinha/
A vontade de responder-me tantos porquês:
- Há motivos de sobra...aos borbotões/
Que me fazem aqui permanecer/insistentemente:
- Uns sedutores/até demais da conta/
- Outros /nem tanto quanto se pinta/
Mas a gente/ mesmo assim/ os pinta/
Bem bonitos/só pra num d o braço a torcer!

Assunta só!...

Aqui me afinquei/ por teimosia/
E afincado aqui/quer queiram/ ou não/
Vou ficar... Até que aprova a Deus/
Para o Céu me chamar/ Claro!...
Mas/ enquanto houver nesse sertão:
- Ternos/ nas folias de reis...
- Festas de São Benedito... São João e São Pedro...
- Catopês... Marujadas e Caboclinhos...
- Carne de sol/  pão de queijo...
- Feijão tropeiro e pequi...
- Som de viola enluarada...
- Cantigas de “Seresta”...ao ar livre/
- “Psiu” Poético com versos /aos borbotões
-Luar... a alumiar-me/ à beça/
E a clarear estradas...por onde eu deva passa/
Eu juro/não sairei daqui/nem que a vaca/ tussa!

Assunta só!

-Vou ficar aqui/sim!...
Mantido o ecossistema/ belíssimo:
-“Veredas” refrescantes/aos borbotões/
E muitos frutos do cerrado/ pra se saborear
 - Umbu/ coquinho/ mangaba/
Buriti/ panã e pequi...
Pode ter certeza/ absoluta/
Persistirei em ficar aqui...
Cravado/ nesse lindo/ rincão!.

Assunta só/ finalmente!..

-Vou ficar aqui/ sim!...
Porque aqui / nesse belo/ “Sertão“:
- É onde se planta vida...
- É onde se enterra o corpo...
- É onde/sobretudo/ se espera/ contente/
A dita ressurreição!

Montes Claros, 22-11-2011

RELMendes

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Ah! João Gomes?!... C´est mon oncle...

                  ( um tiozinho supimpa!...)



Êpa, espera ai!
Gritam-me abusadas...
As lembranças...
Que insistem
Em questionar-me:

Quem é aquele amigo
Muito viajado pelos mares,
  (Hábil faxineiro de convés de navios)
Marinheiro desertor,
Pobre aposentado...
Excelente cozinheiro
Que é chegado
Num gole da branquinha, hein?

Ah! C`est mon oncle,
Espantado, respondo!...                                                                        

Quem é aquele amigo recatado,
De sorriso farto e largo...              
De olhar discreto e ressabiado,
De voz forte e agradável
Que, contente, sempre te acolhia
Logo que chegavas...
Ao Rio de Janeiro, hein?

Ah!Tenham por conta
Que certamente
C`est mon oncle!

Quem é aquele amigo sorridente
Que, vez por outra, te convidava
Pra contemplar os navios lá no porto, ancorados,
E pra degustar, depois de um longo role,
Aqueles gostosos camarões, ao alho e óleo,
 Num boteco qualquer lá da Praça Mauá, hein?

Ah! certamente...
Eu sei quem é!
É o meu tio João Gomes, um cara incrível,
Que conseguia esconder sua tristeza
Sob o delicado véu de sua envolvente alegria,
E da gentileza de seu surpreendente sorriso...
Portanto, esse amigo generoso do qual lhes falo,
C`est mon oncle...João Gomes,
Um tiozinho supimpa!...

Obs: C`est mon oncle= é meu tio.


Montes Claros (MG), 14-05-2012
RELMendes