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sexta-feira, 11 de julho de 2014

Num é que o poeta tinha uma certa razão!



Mal o sol desponta avermelhando o horizonte do sertão, em uma cidadezinha qualquer do interior... o burburinho de vozes da vizinhança , a zuada de seus rádios mal sintonizados nas emissoras locais e o cantar dos pássaros, acendem ruidosamente o novo dia prestes a nos ofertar bem devagarzinho suas singelas surpresas sempre tão corriqueiras...
       O cacarejar das galinhas soltas pelas ruas a ciscar a cata de sua sustança matinal. Os homens buchicham, ora aos berros ora aos sussurros, sobre assuntos do universo masculino – lorotas e mais lorotas...  As mulheres da vizinhança a tagarelar umas com as outras sobre a mesmice do cotidiano: - Já fez o café?  -Me dá um cadim aí, porque meu gaz acabou e estou sem açúcar e sem dinheiro pra comprar.  – Ocê viu isso, aquilo e aquil’outro? E a tagarelice se espalha que nem erva daninha...desde o alvorecer até o cair da noite que costuma esconder surpresas quase inenarráveis de tão descabidas as vezes: - arroubos amorosos por detrás de muros a despencar; tramas políticas regadas de maledicências ao sabor de pequi e feijão tropeiro; segredos desvelados de madames sexualmente generosas e daí por diante... até todos se apagarem ébrios de sono, ou pelo excesso de cachaça ingerida... ou pelo tédio próprio de qualquer cidadezinha do interior. Ah! O dia seguinte será exatamente igual ao dia anterior. Enfim, como disse Carlos Drummond de Andrade: “Eta vida besta, meu Deus!”
Desculpe-me amado poeta, mas que a gente gosta disso...
Ah se gosta!

Montes Claros (MG), 07-2014
RELM

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