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domingo, 13 de novembro de 2011

O Menino e o Corredor


          No fluxo e refluxo
          da maré de amargas recordações
          da infância,
          sempre defronto-me
          com dois longos corredores. 

          No corredor do abrigo no interior,
          deslizava-me perplexo
          entre a sala de visitas e o fundo do quintal
          até a exaustão física e mental.

          Corria, gritava,
          meneava a cabeça de um lado para o outro,
          tentando estancar
          o suspiro ávido dos amantes!

          No corredor da capital,
          permanecia estático,
          inerte e estupefato.

          A porta entreaberta enfraquecia a inocência
          e estilhaçava a perspectiva de pureza.

          Fugir, sem pestanejar,
          era o desejo imediato.
          Anelo impossível!

          Obstáculos intrasponiveis:
          à direita um coati selvagem;
          à esquerda uma janela no terceiro andar.

         Quero evadir-me, não posso!
         Nenhum ‘bando de pássaros selvagens passou por ali”.
         Embora, minha rosa fosse falsa,
         eu não era o “Pequeno Príncipe”.  



        Montes Claros (MG),   02-05-2009
        RELMendes

Convocação Oportuna



Que há um convite, há!
Portanto, há uma porta aberta...
Entretanto, medos concretos,
E impossibilidades reais
Fazem-me divagar por entre sonhos,
Fantasias e a realidade inflexível.
Mas, que flui uma etérea esperança
De retornar a viver em Piratininga,
Ah, se flui! E, como flui!

Como evadir-me novamente
Para terra de Tibiriçá,
Ainda não sei!
Só sei que na ancianidade
Não hospedarei coragem imprudente,
Nem tampouco permitirei
Que a incerteza mescle meu cotidiano,
Só pra eu reviver o já vivido.

Só de pensar...
Já ouço o burburinho intenso de viandantes avexados
Que se acotovelam, sem se desculpar,
Na Sé, no Brás, no Tatuapé,
Enfim, em qualquer lugar.
Perturba-me o ecoar, estridente e persistente,
Do buzinar intermitente dos carros
A disputar um espaço inexistente
Por entre ônibus, motos, e pedestres
Apressadamente imprudentes.

Motos? Ah, as motos!
Guiadas por inconsequentes condutores
Que só querem degustar a, mórbida e excitante,
Sensação de transpor limites,
Elas serpenteiam...e serpenteiam desvairadas,
Por entre as frestas, perigosas e estreitas,
Dos demais veículos em movimento,
Até a colisão total...ora!



A calacear pela cracolandia,
Homens e mulheres noiados
Despojam-se da dignidade,
Desvestem-se da esperança,
E apavoram, de súbito,
O desprevenido palmeador de ruas.

Se na “Cosmópole” ainda dobram os sinos
Do imponente Mosteiro de São Bento
A convocar os monges para “Opus Dei” oficiar,
Nela, também, se abrigam muitas catervas beligerantes,
Que aqui e acolá,
Fazem pipoquear projéteis
Para metralhar viandantes que saracoteiam
Pelas ruas, vielas e avenidas
A busca de, suas tarefas, realizar.

Ah! Como é bom
Percorrer a Av. Paulista...
(“sem lenço nem documento”)
E bem atento observar:
O MASP e o TRIANON.
(apesar dos skinheads,claro!)
E, por fim, quando exaurido de tanto caminhar,
Eu lá no final da Paulista adentrar no P A R A I S O,
Ah, quem dera!
É tudo de bão, sô!...

Porém, depois de muito refletir
Acerca de ir para SAMPA ou ficar aqui no SERTÃO,
Poetizei, melancólicamente, minha resposta:
Desculpe-me SAMPA querida,
Amo-te muito,
Mas não posso viver sem as “ Veredas do Sertão”!...

Montes Claros (MG), 06-05-2011
RELMendes