Total de visualizações de página

segunda-feira, 5 de março de 2012

Gotas de gentileza no varal das lembranças



No varal de minha memória
Onde dependuro um universo
Polvilhado de recordações
Orvalhadas de gotas de gentileza,
Ainda posso vislumbrar
Muitas outras escondidas
Que, inquietas, pululam ansiosas
Para se transmutarem
Em airosos versos.

Ora, se à semelhança
Das outras já poetizadas,
Cuidadosamente...
  (também agradecido!)
Ainda as posso recolher
Tão saborosas no mesmo lugar
Em que as guardei outrora
No acumular dos muitos anos,
Intensamente, vividos,
Por decerto ainda haverá tempo suficiente
   (E haverá!)
Para que eu possa bordar com elas
Alguns outros belos versos,
Só para continuar a enfeitar de ternura
O meu caderno virtual de lembranças
Transfiguradas em singelas poesias.


Montes Claros(MG), 23-02-2012
RelMendes

sábado, 3 de março de 2012

O perfil da juventude em mim


Apenas um moço do interior
Isso era fato em mim
Posto que moço feito de quintais
E jardins de rolinhas e hortaliças
Mas que pensava viver cidade
Bordada de madrugadas envolventes
E de dias laboriosos enfim

Apenas um moço do interior
Isso era fato em mim
Mas moço que vivia mente alhures
Posto que se perdia em ouvir
As bachianas de Vilas Lobos
E se inebriava ao som
Dos Beatles e dos Rolling Stones
Quando não se pegava
Nas asas da imaginação
A caminhar displicentemente  
Pelas calçadas das avenidas
Dos Champs Élysées
Da luminosa Paris
Da iluminada Edith Piaf
Que tanto encantava a mim  

Apenas um moço do interior
Isso era fato em mim
Moço que fez a hora acontecer
E chegara á Sampa empregadora
De mala e cuia
Sem lenço nem documento
Mas cheinho de esperança
E com muita disposição ao trampo
Pra realizar seus tantos sonhos
E tudo mais enfim

Montes Claros (MG), 17-09-2007

RELMendes

sexta-feira, 2 de março de 2012

Uma humana referência de ternura...

(Esse todo sertão... ama, todo sertão o conhece!) 



Agora há que se falar aqui:
De um chamado...
De uma convocação...
De uma linda paixão ( espiritual...) do” Criador”
 Por sua amada criatura!

Assim...
Só mais ou menos assim:
Um dia pelo “Amor” escolhido,
Ele aderiu ledo,
Ao divino chamado...
Para percorrer confiante o caminho
Que o capacitaria a ser de Deus,
Um servidor exímio!...

O outrora jovem missionário
Espanhol da Galícia
 (mesmo hoje sendo um sábio padre ancião)
Ainda prossegue contente a espargir
Ternura sem avareza,
Com um simples aceno de mão!...

E pelo percurso do dia a dia 
A todos vai acolhendo sem distinção:
-Aos pobres trata como pai...
-Aos ricos como irmãos...
-Mas...
Expressa declaradamente
Sua grande predileção
Pela Santíssima Virgem Maria,
A quem ama de todo coração!...

Quer conhecê-lo, quer?!
Então, vem cá!...
Pois me disponho a te apontar as pistas
Para que ligeiro o identifiques:  
É capelão do Carmelo,
(Onde oficia o “Santo Pascal Mistério”!)
É um homem generoso...
É cristão todo Jesuíta...
É um catrumano no exato sentido da palavra,
(aquele que abre trilhas)
É um dos tesouros da Igreja,
Bem escondido no sertão!...

Ainda hoje
A consumir-se de “AMOR ao próximo”,
O bom servo peregrina por essas terras
(a passos largos) 
Tendo a certeza de que um dia
Habitará à “Divina Morada do Senhor”!...

(Mt 4,18-22)

Montes Claros (MG), 05-02-2012
RELMendes

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Emmanuel, o menestrel da Esperança... ( Ro 5,5)

                              ( Uma cronicazinha afetuosa) 


Bato-lhes...
Delicadamente...
Às portas de seus corações 
Para falar-lhes de um, certo, menestrel da “Esperança,”
A quem tive a felicidade de conhecer
Lá pelos idos da década de sessenta,
Em um convento dominicano
Situado no alto da “Serra do Ouro”,
Em Belo Horizonte.

Seu sobrenome era Retumba,
E, Emmanuel, era o seu abençoado nome.
Realmente...
Não sei lhes dizer se esse nome lhe foi dado
Por pura coincidência,
Ou por generosa providencia de Deus...
Mas, que verdadeiramente o “Senhor”
Sempre se abeirava de onde quer que ele se encontrasse,
Ah, disto, não duvidem!
Pois, posso certamente testemunhar-lhes
Com toda segurança de que é verdadeiro,
Já que eu mesmo, por inúmeras vezes, fui agraciado
Com a inenarrável benção da presença do “Altíssimo”,
Bastando-me apenas que o tal bondoso amigo se aproximasse de nós
  (seus filhos espirituais)
Para convocar-nos à oração,
Ou, até mesmo, quando, só, nos chamava para almoçar ou jantar.
Isto, porque, conseguia estar mergulhado no “Amor de Deus”,
Permanentemente!
Na ancianidade,
Era chamado de frère Manu,
Por todos os que o conheceram.

Já o conheci determinado
  (desde há muito )
A ser santo, santo, pra valer!...
  (ou seja, a ser um homem verdadeiramente de “Deus!)
E já o era de fato sem disso nunca ter se ensimesmado,    
Pois, desde todo o sempre aprouve a Deus,
Humilde o fazer!
Peregrinou por claustros diversos,
Teceu de humildade o trilhar do seu caminho,
Vestiu-se da delicada veste da santidade até o fim de seus dias,
Graça que obteve de “Deus” por ter se mantido,
Durante a vida inteirinha,
Na mais intensa intimidade com o “Senhor”.
Ele era um homem de atitudes generosas e transparentes;
Era, silencioso e discreto, porque afeito à oração e a escuta
de “DEUS” e dos penitentes;
Tinha olhos vivos e luminosos,
Sempre atentos às necessidades de todos..
Enfim, ele era um servo sempre a disposição de todos,
E tinha um coração imenso.


Mas, um dia, ou, ao entardecer de um dia qualquer,
Tive que me despedir-me dele, porque resolvi partir.
Então, ele sussurrou-me, sereno,
Uma doce palavra de consolo:

“Nem sempre são os melhores que ficam!”

E, logo em seguida, deu-me um bom e inesquecível conselho:

“Não perca nunca a Esperança!”
               (Ro 5,5)

Então, por todos esses motivos,
E por tantos outros aqui não mencionados.
Nem dele, nem tampouco de seu sábio conselho,
Creiam-me:
Jamais consegui me esquecer!...

Montes Claros (MG), 20-02-2012
 RELMendes