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domingo, 11 de março de 2012

Um estreito afeto

                      (entre a musa e o ancião poeta)

Com certa frequência...
Ponho-me à janela da reflexão...
A ocultar matreiro,
A minha face brejeira,
De ancião-criança!...

Com uma máscara fingida de tristeza,
Tento seduzir a desconfiada musa,
Que atrevida, vez por outra, desaparece...
Deixando-me a contar estrelas...
Ou melhor,
A chupar todos os dedos...
Lambuzados de saudade dela!...

Saudade... tristeza... euforia, ou alegria...
São excitantes hormônios da libido da musa,
Que de longe,
Sente o cheiro do meu poético cio...
Como se parecesse perceber...
O exato momento para fecundá-lo...
Com seu terno hálito de inspiração.

Então,
Os sentimentos ledos,
De lembranças resguardadas...
Lá... num lugar sagrado,
(O útero imaginário do poetificar,
Donde se alojam agasalhados),
Eclodem luminosos...
Para se transmutarem em versos airosos...
Na mente do ancião poeta!...

Arisca, a musa de meus versos...
Assemelha-se a um colibri assustado,
Que esvoaçando, chega inesperado!...
Veloz, trisca astuto as perfumadas flores...
Pra sedento, sugar delas o saboroso néctar,
Que lhe propicia alçar livre...
O voo da passageira euforia...

Saciado por instantes,
Bólido, num piscar de olhos,
Dali desaparece...
Para logo em seguida,
De repente,
Retornar melancólico,
A ciciar sedento!...

Também a despudorada musa,
(À parecença do aloprado colibri),
Toca com delicada leveza meu peito,
(Transparente taça de cristal,
Mais fino que os da Bavária).
E ao seu mais sutil toque,
Logo o cristal do peito se espatifa...
Em gotas de emoções,
Que rápidas,
Transmutam-se...
Em airosos versos,
De “inenarrável ternura”!...

Montes Claros, 11-03-2012

RELM Mendes   

sexta-feira, 9 de março de 2012

Apenas


        
Parece-me...
Que há um século
Não nos vemos.
No entanto
Sábado passado
Repousavas no meu regaço.
Tudo era carinho...
Nenhuma promessa.

Vejo-te amanhã?!
Não!...
Acho que só voltarei
No final da semana.
Últimas palavras
Que o sol testemunhou
Ao resplandecer.

Por favor...
Não te demores tanto.
Volte logo,
Volte depressa,
E deixa-me respirar
A tua presença...
Só mais  uma vez,
Apenas!...

São Paulo(SP), 22-03-1984
REL Mendes


segunda-feira, 5 de março de 2012

Gotas de gentileza no varal das lembranças



No varal de minha memória
Onde dependuro um universo
Polvilhado de recordações
Orvalhadas de gotas de gentileza,
Ainda posso vislumbrar
Muitas outras escondidas
Que, inquietas, pululam ansiosas
Para se transmutarem
Em airosos versos.

Ora, se à semelhança
Das outras já poetizadas,
Cuidadosamente...
  (também agradecido!)
Ainda as posso recolher
Tão saborosas no mesmo lugar
Em que as guardei outrora
No acumular dos muitos anos,
Intensamente, vividos,
Por decerto ainda haverá tempo suficiente
   (E haverá!)
Para que eu possa bordar com elas
Alguns outros belos versos,
Só para continuar a enfeitar de ternura
O meu caderno virtual de lembranças
Transfiguradas em singelas poesias.


Montes Claros(MG), 23-02-2012
RelMendes

sábado, 3 de março de 2012

O perfil da juventude em mim


Apenas um moço do interior
Isso era fato em mim
Posto que moço feito de quintais
E jardins de rolinhas e hortaliças
Mas que pensava viver cidade
Bordada de madrugadas envolventes
E de dias laboriosos enfim

Apenas um moço do interior
Isso era fato em mim
Mas moço que vivia mente alhures
Posto que se perdia em ouvir
As bachianas de Vilas Lobos
E se inebriava ao som
Dos Beatles e dos Rolling Stones
Quando não se pegava
Nas asas da imaginação
A caminhar displicentemente  
Pelas calçadas das avenidas
Dos Champs Élysées
Da luminosa Paris
Da iluminada Edith Piaf
Que tanto encantava a mim  

Apenas um moço do interior
Isso era fato em mim
Moço que fez a hora acontecer
E chegara á Sampa empregadora
De mala e cuia
Sem lenço nem documento
Mas cheinho de esperança
E com muita disposição ao trampo
Pra realizar seus tantos sonhos
E tudo mais enfim

Montes Claros (MG), 17-09-2007

RELMendes

sexta-feira, 2 de março de 2012

Uma humana referência de ternura...

(Esse todo sertão... ama, todo sertão o conhece!) 



Agora há que se falar aqui:
De um chamado...
De uma convocação...
De uma linda paixão ( espiritual...) do” Criador”
 Por sua amada criatura!

Assim...
Só mais ou menos assim:
Um dia pelo “Amor” escolhido,
Ele aderiu ledo,
Ao divino chamado...
Para percorrer confiante o caminho
Que o capacitaria a ser de Deus,
Um servidor exímio!...

O outrora jovem missionário
Espanhol da Galícia
 (mesmo hoje sendo um sábio padre ancião)
Ainda prossegue contente a espargir
Ternura sem avareza,
Com um simples aceno de mão!...

E pelo percurso do dia a dia 
A todos vai acolhendo sem distinção:
-Aos pobres trata como pai...
-Aos ricos como irmãos...
-Mas...
Expressa declaradamente
Sua grande predileção
Pela Santíssima Virgem Maria,
A quem ama de todo coração!...

Quer conhecê-lo, quer?!
Então, vem cá!...
Pois me disponho a te apontar as pistas
Para que ligeiro o identifiques:  
É capelão do Carmelo,
(Onde oficia o “Santo Pascal Mistério”!)
É um homem generoso...
É cristão todo Jesuíta...
É um catrumano no exato sentido da palavra,
(aquele que abre trilhas)
É um dos tesouros da Igreja,
Bem escondido no sertão!...

Ainda hoje
A consumir-se de “AMOR ao próximo”,
O bom servo peregrina por essas terras
(a passos largos) 
Tendo a certeza de que um dia
Habitará à “Divina Morada do Senhor”!...

(Mt 4,18-22)

Montes Claros (MG), 05-02-2012
RELMendes