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sábado, 14 de abril de 2012

Uma mão aliada suaviza a travessia...


          (suaviza a travessia!)
Aquele que...
repentinamente,
ativa as fronteiras
da nossa alegria,
porque carrega no peito
uma mochila cheinha
de “Esperança”,
É, sem dúvida, um amigo!...

Aquele que...
sorrateiramente,
Arguto...
se abeira discreto
pra, no momento exato,
estender sua mão fraterna
- que tanto facilitará
a travessia difícil
do fragilizado
companheiro -
É mais que um irmão,
É um amigo!...
                                                                                              
Aquele que, sem avareza,
gasta seu precioso tempo de viver
  (Que ligeiro se esvai sorrateiro!)
a ensinar ao parceiro de caminhada     
como desemperrar a porta da vida,
  (Que lá do lado de fora pulula intensa!)
É mais que um semeador de liberdade,
É um amigo!...
   
                                 (Eclo 6,14)

Montes Claros (MG), 12-04-2012
RELMendes

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Garimpei no meu peito pétalas de gentileza!


Hábil em fazer faxina
Nas gavetas da memória,
Onde desleixado escondo
Gratas lembranças de tempos
Hoje já bem distantes,
Surpreso,sempre descubro
Interessantes figuras humanas
Como a da querida babá Alexandrina
Que tendo acalentado minha mãe,
Também foi marcante referência
Na primeira etapa da minha vida.

Já passou da hora
De revelar ao mundo a generosa figura
De tão carinhosa flor-mulher,
Que durante a vida inteirinha
Só se dedicou a criar e a amar
Filhos de matriarcas,
E não os que dela eram.

Agora, vou apresentá-la ao mundo
Neste andor de versos
Carregado pelos fortes braços da gratidão,
Já que nos gostosos braços dela
Saboreei ternas gentilezas maternas,
Que nem no recôndito de sua alma
Ela jamais almejou cobrar
Qualquer retribuição!...

Avexado...
Apresso-me em recolher
As pétalas de gentilezas
Que ela delicadamente semeou
Lá no tempo em que eu desfiava alegre
A infância que ligeira passou:

-Lágrimas birrentas?!...
Ah! Eu as recolhia logo
Após ela me acalentar
Com o sincronizado e lento balanço
Dos seus fartos e macios seios,
Que generosa a mim oferecia;

-O meu adormecer deslumbrado
Com as belas histórias
Acerca da vida dos avôs maternos
Que ela, por repetidas vezes,
Não hesitou contar;

-Ela saciava a fome da meninada
Com um tal bolinho capitão
 (arroz, feijão, banana prata e farinha d’água)
Que amassava na palma da sagrada mão; 

-Ah! E aquele suave cheiro agradável
De flor de laranjeira?...
Ela o conservou
Até mesmo depois de partir
Pra perfumar o céu
Ao se transmutar
Em reluzente estrela...

Oh! Essas perfumadas pétalas de gentileza
Eu corajosamente
As garimpei no meu peito
(com uma sagaz bateia)
Lá onde em segredo
As escondia da saudade
Que sempre traz consigo
A inconsequente, e maldosa tristeza!...  

Agora...
Já transmutadas em versos
As postarei desnudadas à vista de todos,
Pendurando-as ledo,
No varal em que costumeiramente
Publico todos os meus poemas...


Montes Claros(MG), 23-03-2012
RELMendes






  

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Só um cadim de ternura bastava!...


Com um cadim de ternura
A sábia árvore velha
Oferta generosa sua sombra fresca 
A quem dela se achega.
E sendo assim
Só deixa transparecer
A agradável sensação
De prazeroso frescor.
Dessa maneira
A sábia árvore velha
Consegue disfarçar a feiúra...
De suas raízes desnudas!...
  
À parecença da sábia árvore velha,
O ser humano (ao envelhecer)
Também deixa à mostra
Suas afloradas raízes ( feias ou belas),
Que ora pela indelicadeza...
Espantam os curiosos
Que imprudentes
Delas se aproximam...
Ora por conta de tanta ternura
Encantam àqueles  
Que deslumbrados
As contemplam!...

Feliz daquele ser humano
Que fincou suas raízes
No singelo canteiro da ternura,
Porque sempre será capaz de surpreender
(Com um sofisticado encantamento)
O divino momento do encontro!...

À parecença dos belos ipês lilases,
O ser humano que se alimentou
Com a saborosa seiva da ternura
(Mesmo na ancianidade tão temida)
Sempre semeará pródigo
Pétalas de gentileza
Ao entorno de tudo
Por onde pisarem seus pés delicados,
De bondoso e terno mensageiro!...    

                                (Jo 12,32)

Montes Claros(MG), 01-04-2012
RELMendes

 

quarta-feira, 28 de março de 2012

Vem sim´bora pra cá! Um apelo insistente...



Ouço...
Frequentemente...
O rugido sôfrego do mar insistente,
Tentando seduzir-me...
Com lamuriosa persistência...

Volta! Vem! Retorna!
Ruge fremente o verde mar distante!...

Sabe,
Ele sussurra... sussurra sem parar...  
Lembranças vagas de momentos corriqueiros,
Que talvez um dia,
Eu os tenha vivido por lá...

-As velas das jangadas já foram içadas
E soçobram livres ao sopro do vento...
-As redes beges, dependuradas na varanda,
Balouçam vazias...
-Os potes de barro cheios do refrescante aluá
Desejam ansiosos se esvaziar...
-Siris, lagostas e caranguejos buliçosos
Esperam apavorados, à hora de serem
Imersos na água fervente, temperada
Com sal, cebola e cheiroso coentro...
-Sucos pra saciar a sede?!...
Ah! Lá tem aos montes:
Maracujá, caju, graviola, siriguela, murici...

Volta! Vem! Retorna!
Ruge fremente o verde mar distante!...

Vem enquanto há vida...
Pra na praia ser vivida!...
Retorna ligeiro, enquanto há tempo,
Para realinhavar, a miúdos pontos,
Elos eternos de referência
Bruscamente rompidos
Pela acintosa fúria do tal destino,
Que obstinado,
Dispôs- se inconsequente
A desfiá-los por inteiro...

Será que o mar descobriu
Que eu sou um colecionador
De corriqueiros momentos de felicidade?!... 

Ah! Sei lá...
Não sei se isso é loucura...
Não sei se isso é apenas ilusão passageira...
Não sei se esses apelos são só elucubrações
Que muito me espantam...

Só sei que travesso,
Escuto a zombar...
O lamento envolvente
Do sedutor mar suplicante:
Volta! Vem! Retorna!
Ruge fremente o verde mar distante!...

Montes Claros, 25-03-2012
RELMendes