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sábado, 17 de maio de 2014

O PRELÚDIO DA FINITUDE


   (coisa que não devia espantar!)
 

O prelúdio da finitude
Atrela-se, sorrateiramente,
Ao momento exato
Em que esplende a vida.

Talvez por estarmos envolvidíssimos
Com a ânsia de imortalidade terrena,
Não o percebamos, de imediato,
Mas... tanto a indesejável das gentes,                                    
Como chamou,  Bandeira, à morte,
Quanto à tenra, hábil, anelada e belíssima vida,
Tão decantada por Trótski, Chaplin, Benigni,
E tantos outros enfim,
Despontam juntinhas!

Ah, essa “indesejável das gentes”!...
Será mesmo que se há que temê-la tanto?
Se tanto ela, a desconhecida morte,
Quanto aquel’outra...a iluminada vida,
Talvez nada mais sejam
Que, apenas, breves momentos...
 A serem vividos intensamente,
Ou talvez, quem sabe não sejam mais
Que um tão somente do visível anverso
E do obscuro reverso da mesma moeda-vida,
Ou talvez ainda, que uma seja apenas o agora,
Enquanto a outra seja tão somente o não ainda,
E se assim for, pra quê tanto pavor...
E tamanho assombramento?

É...pois é!
Da iluminada vida, afirma-se que há pausas aos montes,
Porque podemos degustar-lhe seus muitos “entres”:
Entre a tristeza e a alegria há uma longa pausa de espera;
Entre a saudade e o reencontro, também, há pausas
De ansiedades tantas..e quantas?!
Mas...já da morte, a finitude da vida, esse grande mistério,
Nada sabemos, a não ser que nos incomoda,
Imensuravelmente, ainda que creiamos, desejemos
E esperemos uma plenitude por vir.

Então, deliberadamente, questiono-me:
Ah! Se as flores e as folhas fenecem no outono
E reflorescem ou ressurgem na primavera,
Não seria mais óbvio pensarmos
Que a “indesejável das gentes,”
Nada mais é que a primavera
De mais um novamente da vida?!


Montes Claros (MG),17-05-2014
RELMendes 

quarta-feira, 14 de maio de 2014

MENTES INSANAS


    (nos plangem delírios abomináveis!)



Eis que as encontramos
Por todos os lados e cantos,
A causar: desconforto e espanto!

Descaradamente,
Elas, as mentes insanas,
Apregoam...em alto e bom som,
Suas desvairadas crenças...
Como se fossem divinamente
Santas e únicas,
   (Se vantajosas...é claro!)

Ou... politicamente corretas:
Se lhes saciam as panças gulosas;
Se lhes empanturram o imaginário
De desejos doentios
E de torpes ambições desatinadas...
Que talvez lhes abrandem a sofreguidão da ganância,
Ainda que só por instantes...ora!

Ah! Mas... se essas mentes insanas
Só regurgitam sobre nós
Seus anelos de ambição desmedida,
Sabidos serem pura ilusão passageira,
Pois que se vão debulhar ao léu
Suas farisaicas lamúrias...
Postas que são, insuportavelmente,    
Intragáveis...ora, pois!

Oh, cantilena de belas palavras vazias!
( permeadas do tresloucado egoísmo pós-moderno.)
Se por nossa culpa ainda ecoa
O clamor sofrido das periferias existenciais,
Que nos plange a olhos vistos,
E que sempre entristecem os santos ouvidos do “Eterno”
Com seus prantos, dores e tantos outros lamentos,
Pois que se vão -essas mentes insanas-
Debulhar seus grunidos hipócritas
Aos orifícios auriculares de algum outro tolo,
E não mais aos meus preciosos ouvidos...
Porque minh’alma carece silenciar-se
Para poder auscutar profundamente,
O doce “Sussurro Divino”...ora,bolas!

Montes Claros (MG), 11-06-2014
RELMendes