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segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Na varanda da saudade de Sampa

          (Poecrônica:Um tour pela paulicéia desvairada d’outrora!)

-Se...em Piratininga,
Muitas alegrias vividas
Airaram-me os dias,
Também...em Piratininga,
Muitos segredos escondidos
Enfeitaram-me a vida:

-Pernas...saudáveis,
Acídia a ser vencida,
-Olha só: - eu na rua!...
-Olha só: - eu na avenida!...

-O cheiro...delicioso,
De um simples pedaço de pizza...
A exalar em qualquer esquina,
Aguçava-me a gastrimargia!
-Então: - Olha só, eu na rua!...
-Olha só, eu na avenida!

-Trabalho...assalariado,
Com carteira assinada?
Uma kitnet...pra morar,
Mas que felicidade...
Era tudo que sonhava, enfim...
-Olha só: - eu, então, curtindo a cidade!
-Olha só: - eu, em Sampa, a me esbaldar!

-Lá pelas bandas da Rua São Bento...
(de soslaio a observar)
Eu contemplava...admirado,
O ir e vir dos bondes,
Lentamente...a deslizar
Pela bela Avenida São João...
Mas que coisa fascinante!...

-Nessa amada cidade, São Paulo,
De encantamentos, tantos,
Só esses fatos bastavam-me...
Pra eu confundir...
(sem pestanejar!)
Prazer, com felicidade!...

-Não sei se...por hábito ou vício,
Mas sempre transitei...feliz,
Pelo decantado cruzamento
Da Ipiranga com a Av. São João,
De onde...inevitavelmente,
Eu submergia...inebriado,
Num turbilhão de sensações,
Que...pouco a pouco, despejavam-me
Na famosa Consolação,
Logo após eu atravessar
A belíssima Av. São Luis...
Que à noite se enfeitava toda...
De bares e mais bares...
Espalhados por suas largas calçadas...
Ah, quanto essas avenidas...
Fascinavam-me!
- Então, olha só: - eu na Consolação!...
- Olha só: - eu na São Luís!

-Por esse famoso cruzamento...da Ipiranga
Com a belíssima Av São João, facilmente...
Chegava-se, também, à bela Pr. da República,
Que...aos domingos, mais se parecia a uma ágora,
Porque era dia da célebre feira hippie do paulistano...
E para lá convergiam e ainda convergem:
- Gente de todas etnias e tribos diversas,
- Solitários viandantes curiosos...
- Poetas, Artistas plásticos, toda sorte de Artesãos,
Comerciantes e turistas, enfim...

-Ah! Atravessei...inúmeras vezes:
 Os viadutos de Sta. Efigênia e do Chá;
-Embrenhei-me...incontáveis vezes:
-  No “Bexiga das Cantinas”,
 E na Bela Vista do Teatro e dos teatros;
-Perambulei...por ruas diversas:
 - Na Cardoso de Almeida,
 - Na Caiubi, aonde com Camila, Lúcia e Zélia, convivi;
 - Na Monte Alegre da PUC e do TUCA,
Aonde a  Mariá, conheci;
- Na Major Sertório do “João Sebastião Bar”,
Do “Ela, Cravo e Canela”, e do “La Leicorne”,
Aonde residi e muito me diverti...

- Ah! Vejam só: - quantos segredos escondi!...
- Ah! Sintam só: - quantas alegrias vivi!

- Então, agora, chega de revelar coisas....
Outrora contempladas tão profundamente,
Chega de desvendar delícias vivenciadas,
Tão intensa e gulosamente...
Porque, abusadamente, reservo-me  
O direito de não decifrar os segredos da Sé,
Nem tampouco os do Pátio do Colégio.
- Hoje, eu não quero relembrar mais nada!
- Hoje, não descreverei mais nenhuma lembrança,
“Só depois de amanhã”!...


Montes Claros(MG), 10-04-2011
RELMendes



sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Pegadas d´ outrora!...

(arrochos de bem antigamente)



Ah! Não há no mundo quem não saiba
Que no percurso da vida
Tive muitos amores:
- Uns paixão verdadeira e intensa
 ( nem outros subsequentes
   nem tampouco a batuta do tempo
   conseguiram apaga-lós
   completamente)
- Outros somente arroubos efêmeros
  De um coração juvenil apaixonado
  (se quão rapidamente vinham
   também quão ligeiros se
   diluíam no mundo encantado
   dos sonhos e das fantasias pueris enfim)
- alguns outros ainda
  Nada mais além
 Que marromabas safadas
  De um jovem inconsequente
  ( a se vergar à efervescência
    da libido desordenada)

Ah, meu Deus!
Sabe-se lá...
-Quantos beijos roubei
-Quantos cheiros
 sorrateiramente surrupiei
- Quantos arrochos
 Indiscretamente
Sem cerimônias eu dei...
Ah, quem dera sabe-los ainda?!

Ara! Então, volvamos lá ao pretérito
 ( hoje já tão distante)
 Pra eu cascavilhar saliências saborosissímas
Que não pretendo esquecer jamais
 (“nem bem de vagarinho”... ora bolas!)

Ah! Quantos beijos roubados?!
Ligeiras, com um suave empurrão
E um discreto sorriso...
Dos beijos elas se esgueiravam
Sorrateiramente...

Oh! As mãos curiosas...
E de espertezas cheias
Abusadas deslizavam
Por suas costas macias                                                            
E desnudas...

Ah, meu Deus!...
Como era maroto o nariz!...
Ávido, inalava o hálito
- De propósito - exalado
Pelas suas bocas aveludadas
Que de graça o ofereciam!...
 E pra completar
O bendito nasal
Ainda cheirava profundo
Suas enrubescidas cútis
Que deliberadamente, com sutil elegância
Delicadas a valsar elas as ofertavam 
Perfumadas...

Por fim...
Todos esses meus muitos amores
Prorromperam em mim abusados,
Só pra esculhambar o meu peito.
Pois fincaram no tempo

Suas estacas de saudade
só pra ungir de lembranças 
A eternidade de alguns momentos
Que ainda hoje serpenteiam... aloprados,
Pelo desenrolar de meus dias...

Montes Claros(MG),  05-02-2012
RELMendes

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Navegando solitário pelo revolto mar da indecisão...



Com uma mochila repleta
De muitos sonhos sedutores,
E a cabeça fervilhando de ilusões...
É preciso se pôr a caminho
Para descerrar as emperradas
Portas da vidas.
Ir-se embora ou permanecer,
Eis ai a terrível questão!...

Como deixar de usufruir o já obtido?
Como se desvencilhar do materno afeto?
Como abandonar o boteco da esquina
Onde se beberica nas cálidas noites de verão?
Ah, essa não!

Já pensou em largar para trás
Os lábios saborosos da cabocla
Que, ao pôr do sol, ávidos de beijos
De graça se ofertam
Daquela janela da varanda?
Oh! Que louca abominação!
Oh! Que revolto mar de indecisão!
Optar talvez seja
No transcorrer do dia-a-dia
O que de mais difícil na vida há.

Mas como ampliar horizontes?
Como deixar de ser menino
Sem partir sei lá pra onde;
Sem alçar voo pro infinito ofuscante;
Sem galgar montanhas em busca de sonhos;
Sem se desviar pelos caminhos percorridos;
E sem se distrair envolvido pelo abusado
Encantamento das cunhantãs?


Montes Claros (MG), 10-01-2012
RELMMendes





quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Talvez a culpa seja do vento...




Em uma preguiçosa e morna tarde de verão,
Quando uma furiosa golfada de vento se lançou inesperada
Contra as vidraças das janelas da minha varanda...
E acordou-me às pressas da costumeira sesta,
(Que neste amado e robusto sertão, jamais dela se há de abrir mão!...)
O violento e inconsequente vento 
Despertou, também, em mim lembranças.

Lembranças...
Cuidadosamente escondidas,
Ou resguardadas por cortinas de ternura
Impregnadas pelo cheiro do incenso
Que a exalar abundante...
Perfumava a capela de um sagrado monastério
Durante a celebração de “Vésperas”...
(Lá nas tardes distantes de minha juventude!)

Oh, louco e inconsequente vento!
Se, sem pudonores,
Desnudaste minhas secretas lembranças,
Também, sem pudonores,
Saciaste meu guloso apetite
De querer novamente
Lambuzar-me de alegria
Ao relembrar-me
De cada um daqueles momentos,
Que ávido, saboreei, um dia!...
         
Montes Claros (MG), 24-01-2012
REL Mendes