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quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Colhendo delicadezas ...

                                                           ( do dia a dia)


-Ao atentar-me do galopar da vida...
Percebi que os dias se esvaem ligeiros,
À parecença d’água pelas mãos recolhida
Que goteja...rápida e despercebida,
Por entre os vãos dos dedos entreabertos.
                                                                                    
-Então... Antes que a finitude da vida
Determine o término de meus dias,
  (sem nenhum escrúpulo!)
Vou tratar de sorver...ávido,  
Cada momento alegre da vida
A ser vivido...

-Ah! Doravante...então,
Cerzirei...apressado,
Todos os retalhos de alegria...
Para conseguir, rapidamente,
Fustigar coisas “miúdas”
Que me impedem degustar o regalo
De envolver-me, totalmente,
Naquela colcha de ternura
Que...a cada dia, embrulho-me.    


Montes Claros (MG), 19-01-2012
RELMendes                                 




quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Quem será a inesquecível garota de Sacramento?



-Quem/ por acaso/ imaginou/
Que eu nunca amei alguém
- Lá no meu distante/ pretérito -
Enganou-se/ profundamente!

- Ainda ontem/ mesmo/ deliberadamente/
Resolvi passear por lá/ no meu pretérito/
E qual não fora a minha imensa /surpresa/
Ao deparar-me com a fascinante silueta
Da bela e/inesquecível/ menina-moça/
- da amada cidade de Sacramento (MG) –
Que/ lá na minha adolescência/ hoje distante /
Fora o meu primeiro amor/ verdadeiro!

- Talvez/ah/ esse amor fora /apenas/
Um belo idílio infantil/ a desabrochar/ inesperadamente/
- Ou quem sabe um lindo devaneio/ de criança/
 A florir / repentinamente/ Quem sabe?
- Ou/quiçá/ ainda/tenha sido/ tão-somente/
Um intenso amor pueril/ a fluir /discreto/
Vez que /quase tão-somente/ platônico/coisa da época/
- Ou talvez tenha sido apenas/simplesmente/
Um sagrado segredo de um rapaz-menino/ amorosíssimo/
Que/ lá em Sacramento (MG) vivenciou/prazeirosamente/
Quando ainda/ na distante infância/ já em partida!

-Mas quem será essa inesquecível garota de Sacramento (MG)?

-Ah! Isto eu não lhes direi/ jamais!Nem hoje/ nem nunca!
Pois é um segredo guardado/ a sete chaves!
Só nós três (eu/ ela e seu acordeon)
É que sabemos: - Quem ela é/ - Qual o seu nome/
- Qual o endereço de sua residência/ etc & tal!
E porquanto/ tamanho seja/ esse nosso segredo/
Tenho cá comigo que: - Nem eu/ -Nem seu acordeon/
 -Nem/ tampouco/ ela/ desejamos revelar-lhes
Tão terno segredo!

-Ora! Para mim/e para os seus/ ela era quase um bibelô/
Mas um bibelô ofegante/ de amores/ por mim/
Só não o via quem/ de invejas/ tantas/
Esgueirava/ligeiro/seus curiosos olhares/invejosos/
E / porquanto/ tamanha formosura/ ela/ a inesquecível garota/
- da amada cidade de Sacramento (MG) –
Era muito bem resguarda por três cuidadosas e espertas/ aias/
-  Da Vestina/ etc & tal –
A nos espiar/ sorrateiras e desconfiadas/à beça!
Portanto/ dificilmente/ trocávamos carícias/ mais intensa
Vez que as benditas/ aias-tias/ não me davam trela alguma/
Para que eu pudesse surrupiar/ a meu bel prazer/
- Daquele precioso/ ainda projeto/ de belíssima futura mulher –
Alguns abraços/ acochados/ e muitos beijos/ apaixonados!

- Mas/ sem pundonores algum/ confesso-lhes:
- Eu / diante dela/perdia-me/totalmente/
Em olhares/ suplicantes/ aos montes/
Em suspiros/ofegantes/ à beça/
E em delírios/ libidinosos/ aos borbotões/
Que/ por aqui/ nem ouso pensar em lhes contar/
Por nada desse mundo/ Jamais!
Todavia/ não obstante tão grande /encantamento/
- Cá entre nós/ paixão avassaladora/ mesmo! –
Hoje em dia/ nem eu/nem ela/ nem o acordeon /sabemos
O que foi feito de nós! Que pena! Que pena!

-Entretanto/ enquanto por aqui eu estiver/
Afirmo-lhes/ sem hesitar/ que não pretendo jamais/
Esquecer-me: - Nem dela/ nem de seu acordeon/
Nem/ tampouco/ da bela Sacramento/ d’outrora/
Que/ ainda hoje/ tantas saudades me traz!

RELMendes – 26/01/ 2012

sábado, 29 de setembro de 2012

Ouvindo o alvorecer do sertão!...




O sussurro do alvorecer
Faz-se poeticamente escutar...
Ao pressentir os primeiros raios de sol...
Que ameaçando rasgar o firmamento...
Irão apagar as estrelas.
Estrelas...
Candelabros à noite acesos
Para pontilhar de luz a escuridão noturna
Que o peregrino extasiado
Insiste em contemplar
Mais um pouco ainda...

Então...
Prorrompe o sussurro do alvorecer
Impondo o limiar de um novo dia...
Anunciado pelo orquestrar de vozes de animais:

Soa o cacarejar, paulatino e impertinente, do galo...
Multiplica-se o pipilar de pardais irrequietos...
Zune compassado...
O chilrear de periquitos...
A esvoaçar sincronizados,
No horizonte sem fim...
Intensifica-se o guinchar dos suínos famintos...
E o mugir melancólico dos bovídeos...
E de imediato,
Cessa o coaxar dos sapos,
Que resilientes, se ocultam...
No sombreado de grossas folhas sobrepostas,
Ou seja, nas hastes das multicoloridas bromélias...
Transbordantes de sereno recolhido.

O sol abusado...
Ao clarear o horizonte infinito...
Forçou a partir a noite   
Que ao fugir...
Abandonou nas pontas do verde capim
Minúsculas gotas brilhantes de orvalho...
Talvez lágrimas transparentes de sereno...
Ou apenas rastros delicados
De quem, de súbito,
Forçada teve que se retirar
Mesmo sem desejar partir...

Agora instalado o dia...
Debruço-me nas asas da imaginação...
E deixo-me palmilhar trilhas iluminadas...
Por entre touceiras de girassóis...
Dourados e dourantes,
Que balouçam desconjuntados
Ao sopro da frígida brisa matinal....
                                                                                 
Montes Claros(MG), 15-09-2011
RELMendes



sábado, 22 de setembro de 2012

Devaneios Poéticos



Ao tentar poetizar lembranças
Logo me remeti à distante infância
Onde pude ruminar recordações diversas...

Com delicada leveza,
Deslizei cuidadosamente
Por entre aqueles retalhos de vida
Receando ferir-me novamente.    

Remeti-me às verdes pastagens
Lá do distante “Triângulo Mineiro”
Tantas vezes por mim outrora percorridas...
Cheguei até a arranhar
Breves momentos de rara ternura:
 Lembrei-me do cheiroso capim orvalhado
 (molhadinho de sereno à noite evaporado)
A exalar um incontrolável odor de esperança;
Ouvi o chalrear de periquitos irrequietos
Agasalhando-se  nos topos dos coqueiros;
Escutei o palrear de papagaios barulhentos
Ecoando do alto das imponentes macaubeiras
E o grasnar estridente das belas jandaias
(Daquelas terras de lá)
A anunciar o limiar lento do novo dia...         

E dessa noite que findava
Silenciosa e escura,
(Que também lenta se foi esvaindo)
Só me recordo de ter sorvido
A luz fraca do bico aceso da velha lamparina,
(Que mal iluminava o sujo cômodo!)
E a imagem tosca de uma desarrumada alcova
(Que alcoviteira se ofertava generosa)
À espera da eclosão
( quase violenta)
De um roubado ato de amor efêmero...  


Ao despertar desses fascinantes devaneios...
Rompi apressado
Com essas imagens do passado,
E ligeiro pus-me a tecer o futuro
Que embora ainda escondido
Proponho-me a revelar agora:
“Lutar, cantar, amar e calar”... sempre!  

Montes Claros(MG), 14-06-2010
RELMendes



domingo, 16 de setembro de 2012

Flores-mulheres do Araguaia distante (Mimo poético à Zélia e Ita Maia) Flores do Araguaia




-Desvestido de qualquer inspiração poética
Tentei mesmo assim  aplacar de algum jeito
A ira da silenciosa musa nesse agora de mim tão arredia:
- Abri apressado a janela que dá pra minha varandinha
E pus-me a contemplar completamente encantado
A belezura de um velho pé de ipê lilás em flores
- Que da dita janela bem se podia vislumbrá-lo extasiado –
Só pra instigar de alguma maneira à tão arredia musa...

-Logo então prorrompi em ternas lembranças
Que ao fluírem borbulhantes à beça
- Como se fora um caudaloso rio -
Fizeram-me resvalar de pronto de corpo e alma
Por saudosas e deliciosas recordações sem fim:
- A decida íngreme da rua Caiubi/ em Sampa...
- A porta sempre fechada que durante anos abri...
- O apartamento aconchegante onde por anos vivi
Rodeado por graciosas flores-mulheres silvestres
E porquanto orvalhado pelo frescor inenarrável
Do belo Araguaia distante...

-Flores-mullheres  generosíssimas
Pois  sempre foram assiduamente  presentes
Em meu irrequieto caminhar à época da juventude
- Tão sem rumo nem sequer prumo algum  -
E porque sempre aos amanheceres douravam-se
De muita ternura e incontáveis gentilezas
Para tentarem acalentar-me à beça
Em meus irrequietos dias...
Plenos de utopias!

-Flores-mulheres  boníssimas
Pois sempre foram muito presentes
Em meu irrequieto caminhar tão juvenil
E também porque em todos os anoiteceres
Sob o argênteo clarão do raríssimo luar de Sampa
Elas sempre se permitiam enluarar-se de alegria
Só pra alumiar-me os malvistos rastros abusados
De meus desvairados sonhos...

-Flores-mulheres amorosíssimas
- Sempre  efetivamente  presentes
Em meu irrequieto caminhar tão juvenil -
Saibam  vocês criaturas de coração lindo
Que ainda hoje e quiçá sempre quem sabe
Irão perfumar-me os dias de saudades tantas...

-Ah minhas amadas flores-mulheres silvestres
Do belo Araguaia distante... Quanta beleza!
Quanta saudade desescondida!


RELMendes – 04/07/2010

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Enigma


Ser como sou...
Carisma!
Alegre ou triste...
Eterno fingidor!
Se amante...
Pronto galanteador!
Se poeta...
Sagaz sonhador!
Se contemplativo...
Audaz adorador!
Se odeio...   
Sutil gozador!

Ser como sou
Poeta pintor profeta
Crente ou criatura
É um dilema!...
Serei eu um enigma?!
Ah, quem dera!
    
São Paulo(SP), 18-04-1986
RELMendes



sábado, 1 de setembro de 2012

Mais uma vez a primavera!...





Que se vá o inverno,
Que se dissipe a saudade,
Que nos surpreenda a alegria,
Que se acheguem ternas as flores,
Que desabrochem alvos lírios,
Que pássaros musicalizem o espaço,
Que rosas perfumem os altares do peito,
Que acolhamos alegres o outro
Que se achega ressabiado,
Que miosótis inspirem poetas,
Porque alguma coisa me diz
Que já voltou a primavera...


Montes Claros, 02-09-2012
Romildo Ernesto de Leitão Mendes