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sexta-feira, 21 de março de 2014

A propósito de uma observaçãozinha de Tristão

( Alceu, o pensador do Brasil, a época!)



-Vez em sempre, gosto de relembrar coisinhas surpreendentes com as quais a vida me presenteou...sem que...ao menos,
eu as esperasse ou tampouco as desejasse.
Aliás, pra dizer a verdade, quase tudo de interessante que aconteceu comigo em minhas muitas andanças pelas quebradas da vida, simplesmente aconteceram por acontecer, ou digamos:
 - Por uma simples mercê do generoso acaso...
- Ou quiçá, quem sabe tão-somente por uma ironia do destino...
- Ou quiçá ainda só porque eu estava ali...na hora e no lugar certos. -Quem sabe?


-Fora o que acontecera comigo um dia, quando tive uma oportunidade impar de ouvir, ao vivo e a cores, um inesquecível ensinamento do sábio Tristão...o Alceu pensador do Brasil.
Olha só, que fique bem claro aqui, sobretudo, aos que possam achar que estou potocando: - Eu, infelizmente, não era amigo dele!
– Eu, lamentavelmente, não era aluno dele!
- Pra dizer a verdade, eu nem sabia quem era ele, e nem tampouco se existia...
Eu apenas passava pelo lugar onde ele se encontrava e me encantei com o papo dele...
Mas que foi muito bom tê-lo encontrado naquele dia memorável...
- Ah, se foi!

-Entretanto, peço-lhes licença e desculpas, mas antes de relatar esse tal inesquecível ensinamento, eu gostaria muito de lhes falar, sucintamente, ou seja, só um pouquinho sobre a pessoa do ilustre pensador Alceu de Amoroso Lima, conhecido, também, pelo pseudônimo Tristão de Ataíde:

-Ora! Apesar de seus muitos títulos...nacionais e internacionais,
Apesar de seus inúmeros dotes intelectuais...mundialmente reconhecidos...
Tristão fora um cara que nunca se ensimesmara com essas honrarias que lhe eram tão merecidas...
Isto porque ele era, sobretudo, possuidor de uma imensa nobreza de caráter que a todos encantava, mormente a seus alunos que o admiravam sobremaneira: – porque era gente boa de verdade...
e um ser humano impar.

-Alceu, pra se ter uma idéia, quer quisessem ou não, sol a pino ou a garoar, fino e frio, que chegava a molhar o chão, o corpo e, porque não dizer a alma também, religiosamente, todas as manhãs após as aulas, até sua aposentadoria em 1963, lá estava ele sentado no meio fio da calçada em frente ao prédio da PUC (SP), por ele fundada, a papear com seus pupilos acerca da vida e do sentido dela.

-Numa dessas inesquecíveis manhãs, um aluno, desses do tipo mais afoito, ou seja, um amigo meu, questionou-lhe:

- Mestre, por que seus ilustres colegas são tão sisudos,
  e sempre evitam manter um contato mais direto conosco?"

  - Ora! Meio que espantado - a pesar do intenso brilho
de seus olhos serenos - com ar de criança desconcertada, e, como quem  pego de surpresa, sorriu...um pouco constrangido,
e  respondeu-lhe questionando-o:

-“Você sabia que as madeiras envernizadas
   têm medo de qualquer coisa que as possa arranhar?”

-Então o discípulo afoito riu e exclamou:

- Deveras, mestre!Tal qual às madeiras envernizadas...
Também assim o são, as metidas pessoas empoadas, pois não?

 -Alceu se despediu sorrindo...
como o fazia todas as manhãs,
e partiu...discretamente,
sem mais comentários...
só para não acirrar os ânimos...
Pois, enfim, era um filósofo...ora!

-Eis ai o sábio ensinamento do qual lhes falei:
“Madeiras envernizadas têm medo do que as possa arranhar”...

-Eu entendi, e vocês?

-Moral da estória:

-Pois é! Quem escuta...atentamente,
sempre aprende algo de muito útil...
ainda que pelas calçadas da vida...ora!

Montes Claros (MG), 04-03-2014

RELMendes  

domingo, 9 de março de 2014

Anseio d`alma



          (Olhar muito além dos montes!)



Vou lançar... meu olhar
  (avidamente)
Muito além dos montes
E dos monturos de mim mesmo
   – os vícios d’alma -
Porque, restringem-me às fragilidades humanas
E cerceiam-me enxergar a amplitude
De seus verddeiros horizontes
Que, certamente, projetam-se...
Muito além do aqui e do agora.
Ah! Vou lançar meu olhar muito além...
Ah, se vou!

Vou lançar-me à busca do eterno...
Do infinito... do inenarrável
Que só se revela... (em plenitude)
Aos simples, aos humildes
Porque o procuram dentro de si mesmos,
Ou na pessoa do seu próximo  
  (com muita misericórdia e sutileza!)
Porque o eterno habita e se aconchega
Lá nas profundezas do imo
De cada um de nós...
  ( Território sagrado!)
Então, vou buscá-lo sim...
Bem discretamente,
Mas, indubitavelmente
Vou encontrá-lo.
Ah, se vou!

(Lc,11-9)

Montes Claros (MG), 04-03-2014
RELMendes      

terça-feira, 4 de março de 2014

À brisa de vento alegre



               (porque refrigera!)


Vem... brisa de vento alegre,
Besunta-nos de sorrisos muitos...
Partam... de quem partir!

Vem... brisa de vento alegre,
Orvalha-nos de muita esperança...
Seja de que espécie for!

Vem... brisa de vento alegre,
Solfeja-nos de belos alvoreceres...
Ocorram... onde ocorrerem!

Vem... brisa de vento alegre,
Refresca-nos de madrugadas vadias...
Aconteça... o quê acontecer!

Por fim...
Vem... brisa de vento alegre,
Porque se vieres logo,
Aquietar-se-ão os prantos d` alma
E cessarão os “ ais “ plangentes do coração!

Montes Claros, (MG), 22-02-2014
RELMendes