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quinta-feira, 5 de junho de 2014

O motim das flores do meu jardim



       (qualquer coisa as alucina! ) 


Perturbadas... 
As florzinhas do meu jardim:
     (miosótis... violetas... rosas... margaridas... jasmins...)
Balbuciam!... Fuxicam!... Discutem!...
Suspiram... ais profundos!
E sussurram...se`s  intermináveis!...
O que lhes terá surrupiado a paz?
Por que se lamuriam tanto... entre  si?

Ah! Devem estar irrequietas...
Porque não as aguei ontem... ora!
(Penso eu!)
Ou então...
Porque o calor insuportável do sertão
As incomoda muito... ora!
(Imagino eu...cá com meus botões!)

Mas...
Ainda que enroscado em afazeres tantos,
Vou até lá... observá-las de soslaio,
E curiá-las atento...
Pra tentar escutar o que tanto balbuciam...
Ah se vou!...
Mas... que bagunça é essa... meu Deus?!...
Queixam-se de tudo:
De colibris sedentos...
De abelhinhas irrequietas a zunir...
De assanhaços saltitantes...
E até dos bem-te-vis
E dos sabiás cantadores!...

Então, pasmem!...
Ao perceberem-me...
(Porque frenéticos gorjeavam os pássaros...)
As flores disseram-me:
Só desejamos degustar uns pedacinhos
Daqueles “bolinhos de chuva”
Que acabas de fritar...
Porque o aroma deles está a nos ensandecer!...    

Ora direis: DU...VI...DÊ...Ó...DÓ!     
Mas que sandice é essa?...
Flores não falam!
E eu vos direi, no entanto,
Que as flores conversam... 
Ah se conversam!...
(Sobretudo as do meu jardim!)

Montes Claros (MG), 08-11-2013
RELMendes


quarta-feira, 4 de junho de 2014

A BELEZA LÚDICA DA INFÂNCIA D´ OUTRORA



(tudo era puro contentamento!) 


Do meu veloz patinete amarelinho
A se precipitar rapidamente ladeira abaixo,                                          
Eu saboreava os vaivens de crianças curiosas,
Os vaivens de olhares surpresos...
Advindos de velocípedes lentos a se locomoverem
em minha direção,
Os vaivens de olhos abismados...
A me espiarem das bicicletas rápidas que derrapavam
sobre pedregulhos roliços,
E, também, os vaivens de olhos de adultos invejosos
A me espiarem, de esguelha,
Das esquinas de suas curiosidades
E dos desvãos de suas saudosas infâncias.

Ah! Esses vaivens da infância d’outrora
Sobre as rodinhas de um patinete amarelinho
Eram pura satisfação de viver alegre. 

Montes Claros (MG), 03-06-2014
REL Mendes

terça-feira, 3 de junho de 2014

Passos de poeta



(enfeitados de flores!)


Se for poeta
Ou qualquer coisa do gênero,
Deixem- no caminhar
Sem rumo nem prumo
Porque nunca se sabe realmente
O quê o surpreenderá!

Deixem-no simplesmente caminhar....
Porque seus olhos atentos de poeta
(da órbita de seu escondimento)
Sempre perceberão
O encantamento de qualquer florzinha
( ou florzinhas!)
Que sem pretensão
Desabrochou em uma brecha qualquer,
(entre a calçada e o muro velho!)
Só prá cumprimentá-lo:
Bom dia, poeta amigo!

Então... fascinado,
O poeta amigo a sorrir lhes respondeu:
Bom dia, florzinhas belas!
E feliz, lentamente....partiu!
Ah!Coisas singelas de um poeta bucólico...

Montes Claros (MG),03-01-2014
RELMendes