Total de visualizações de página

sábado, 25 de agosto de 2012

Um trovador de muitos afetos!...



                       (Meu pai)


Abeirando-me, ressabiado,
Da delicada vereda da saudade,
Ledo, pesquei um momento de ternura
Eternizado por uma antiga fotografia
Que, por si só, denota a beleza
Que transborda de qualquer poesia.

Como se hoje, ainda fosse,
Recordo-me daquele radiante dia
Que nem a “Guerra”,
Nem tampouco o cansaço
De seu estafante ofício de médico,
Impediram-no de esbanjar, comigo,
Tamanho e tão terno afeto.

Talvez dentre tantos outros filhos...
Não fosse eu o seu preferido,
Mas... tenham por certo
Que,  sendo eu o primogênito
Das entranhas dele nascido,
Fui eu quem primeiro lhe concedeu
A inenarrável alegria de ser pai...
Naquele jubiloso dia do meu advento.

Ah, meu amado pai e saudoso amigo,
O humano e o divino conspiraram, em segredo,
Para que me fosse outorgada a honra
De ser, dentre tantos, o teu primeiro filho!
Esse orgulho, de mim, ninguém tira!
Essa vaidade, de mim, ninguém arrancar!

Para mim valeu muito a pena,
Valeu a pena demais da conta,
Eis por que ouso alardear
(Com tanto encantamento!)
Que, de ti, não vou me esquecer nunca,
Nem “bem de vagarinho”!...

Montes Claros (MG) 12-08-2012
RELMendes

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Caldeirão Antropofágico



 (A interação total de todas as expressões culturais)



(Nada de “mais do mesmo”!)

Assunta só:

-Da hipótese à tese...
Quase sempre nos deparamos
Atualmente, com uma fantástica
“Antítese tecnobrega”!...

-Mas, se a curiosidade está alerta,
Depararemo-nos com esta
 Surpreendente hipótese:
 “Verborragia é só verborragia”!...

-Portanto, vejamos:
Suposição, conjectura, teoria,
Contexto, paradigma, recorrente,
Relativismo, individualismo, hedonismo,
Protagonista, pontual, pós-moderno,
Homofobia, heterossexista, fanatismo,
Biocídio, permear, bioética,
Apologia, amnésia, inadimplência,
Acicate, Políticas Públicas, Marketing,
Publicização, fantasia, felicidade, oniomania,
Personal Treiner, Lei Maria da Penha, Marketing,
Personal Stylist, Código do Consumidor, balela,
Estatuto do Idoso, Eca, ilusão,
Inserção, inclusão, acessibilidade,
Choque de gestão, gestão, gestão...

- Assunta só, agora, as conclusões:

Êta potoca potoca  potoca de merda, sô!
“Vá enganar os bestas!...” (L.G.)
“Banguela não mastiga chicletes!” (G.A.)
“È muito blá, blá, blá, pra gente, sô!”  (?)

- Agora, assunta só...
Pra essas atualíssimas antíteses
Que estão por aí afora a pulular kkk:

“Eu quero tchá, eu quero tchú!” (S.F),
 Agrega!... agrega!... agrega!...

“Ai, se eu te pego, ai, ai,se eu te pego” ( ?),
 Agrega!... agrega!... agrega!...

“Ai, ai, ai, ai, ai, ai,
  Assim você mata o papai!”  (SM),
Agrega!... agrega!... agrega!...

“Ex-mai Loove...Ex-mai Loove” (G.A),
Agrega!... agrega!... agrega!...

“Beijinho no ombro”(VP)
Agrega!...agrega!...Agrega!...

Já agregamoooooooooos, pô!!!

- Portanto:
Viva o Hip Hop!...
Viva o Rap mundial!
Viva o Funk carioca!...
Viva todos os MCs...
E todas as MCs do mundo!
Viva a Grafitagem!...
Viva tudo o que está por vir!...
Viva tudo o que já veio...
Porquanto já faz parte
Da “Cultura Urbana” brasileira, sô!!

-E, por conseguinte, pra quê tentar domesticar:
- A música pancadão, advinda das quebradas periféricas;
- A arte plástica da grafitagem, que tanto, a nós povão, encanta;
- A maneira de versejar em rimas, reivindicações, protestos e sonhos a serem alcançados, etc e tal!
Domesticá-los, com um academicismo elitista e rebuscado,
Pra quê mesmo, hein?
-Ora! Se já que está tudo aí, por toda parte...
A vicejar, esplendorosamente:
- O funk, - a grafitagem, - o hip hop e o rap...
Achincalhá-los, então, por que, hein?
-E, se quer queiram ou não alguns,
Eles são...verdadeiramente,
Facetas diversificadas de nossa arte popular
Que já não mais se esconde...tão-somente,
No âmbito das periféricas comunidades...
Então, não acolhê-los, por que, hein?

-Por fim, assunta só:
- E doa, a quem doer,
Na atualidade nos deparamos com uma nova tese:
- O novo “Caldeirão Antropofágico”
  (Que é um negócio muito sério!)
É uma desconstrução total da nossa mentalidade vigente
(talvez obtusa, porque permeada por uma concepção acadêmica controladora e colonizadora de toda sorte de cultura...pelo menos até então!)
À acerca do que seja cultura e, sobretudo,
Cultura popular brasileira...e afins!
-Então, vamos e venhamos,
Se “arte é tudo aquilo que o povo entende” (?),
Não há porque ser elitizada ou colonizada
Por uma pernóstica minoria intelectualizada
Que está malfadada a colecionar
Seus conhecimentos acadêmicos...
Tão-somente, em alguns livros lidos,
Por pouquíssimas pessoas,
E nos escombros de sua devastadora pretensão.
     
-Pois,é!... Como diz um pensador atual:  
“onde há muito debate,
ai não há lugar para o povo,
mas só pra intelectuais.”

(Apenas, “reflexões transitórias
De um velhinho debochado”!...) 

Montes Claros(MG), 15-08-2012
REL Mendes   




quinta-feira, 2 de agosto de 2012

O percurso da vida...

     (Sob o olhar de um homem de TEATRO)



Lá com seus botões, o homem de TEATRO
Esbraveja:

Se concluída a gestação,
A natureza te inflige a abandonar
O aconchego quente do útero materno,
Proponho-te que, já no proscênio,
Proteste gritando, proteste aos berros!...
Logo que do parto na terra te derrames,
Prove tua existência gritando aos berros!...

Oh! Vem depressa, vem logo!
Mostra-me teu rosto ainda oculto,
Porque a ansiedade me consome!...

Ò novo menestrel, és esperado
Desde a tua concepção!
Meu delírio será ver-te atuar
No velho palco da vida...
Fazendo florescer emoções
Por esse mundão afora...

Lá com seus botões, o homem de TEATRO
Pensou ter ouvido:

Olha aqui, presta atenção!...
Se versátil será o meu ofício de menestrel,
Tanto mais inconstante e volúvel
Será o semblante do meu rosto.
Mas...se mesmo assim te dá gosto conhecê-lo...
Escolha ai na ladainha
Aquele  que do teu agrado seja:

Um rosto dolorido...
Um rosto triste,
Um rosto espantado...
Um rosto assustado,
Um rosto empalamado...
Um rosto faminto,
Um rosto de muitas máscaras...
Quem sabe um rosto versátil
                                ...de artista?

Lá com seus botões, o homem de TEATRO,
Sem economias, esbraveja intrépido: 

Presta atenção aqui, digo eu!...
Se te estimulei a perder a invisibilidade,
Apressa-te a interpretar com talento,
Os personagens que te serão ofertados...
Pois o tempo e a vida ligeiros se esvaem,
E ainda pretendo ver-te alcançar o sucesso
Antes que se apaguem os holofotes,
E, de súbito, se calem os aplausos!...     


Montes Claros (MG), -24/07/2012
RELMendes