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quinta-feira, 22 de março de 2012

Um Convite à Maria Luiza

(Alguns porquês... justificam o convite!) 


A rever caminhos palmilhados...
Defrontei-me com tua silhueta graciosa
A enfeitar a tessitura de minhas andanças...
Então...
Recordei-me de belos momentos...
Em que adentramos
Por caminhos desconhecidos...
À busca do mistério das coisas...

Para mim...
Tua amizade era invólucro,
Não chama que se apaga
Ao suspiro da intriga.
Pois, amparados um ao outro,
Conseguíamos nos desvencilhar de empecilhos...
Que tentavam se  interpor entre nós.

E nós...
Só tergiversávamos...
Acerca de nossas fragilidades...
Partilhamos sonhos de esperança...
Investíamos na possibilidade
De acertar o caminho a ser trilhado...
Para não postergar a solidão
Que insistia em nos circundar...
De quando do meu exílio...

Em jornal local,
Utilizávamos metáforas literárias...
Pra exteriorizar a amizade tecida...
(Na oferta do abraço consolador...)
Chegamos a enfeitar...
Com guirlandas de lealdade,
A travessia de nossas utopias...
Desafiamos a montanha...
Só pra contemplar a beleza da flor
Lá resguardada...

Ah! Cara poeta amiga...
Há beleza demais no quadro da amizade,
Que juntos pintamos...
Hoje, ele (o quadro da amizade)  
Está escondido...
Lá no cerne de nossas recordações...
E aguarda ansioso,
A conclusão do seu encantamento...

Montes Claros, 21-06-2010
RELMendes


segunda-feira, 19 de março de 2012

O viés palatável

(da belezura de meus versos...)




Talvez apenas o céu e as noites de minha infância
(Que me pareciam bordados de estrelas)
Sejam o viés palatável de meus singelos versos: 

- Noites polvilhadas de estrelas reluzentes...
- Pirilampos cintilantes a piscar insistentemente, 
- Senhoras idosas a gargalhar se balançando 
  Em claras cadeiras de vime  
  E a chacoalharem displicentes suas saias godês
  Pra tentar se refrescar com o curioso vento... 

 Mas o intenso calor só se amainava
Com o suave soprar da refrescante brisa
Deslocada lá da enseada
Chamada de baixa da égua, 
Mísero prostíbulo disseminado
Ao entorno do farol do Mucuripe...
Que, rapidamente, no boca a boca,
Tornou-se de todos conhecido.

Embora àquela época
Fosse apenas um ancião-menino,
Já ansioso desejava do farol singrar
Pra outras plagas ou quintais distantes
Onde pudesse matar
A arretada saudade das coisas
Que, por eu ainda ser criança, 
Não tinham até então acontecido.

Montes Claros (MG), 10-03-2012
RELMendes

quinta-feira, 15 de março de 2012

Lembranças que trincaram o tempo



-Houve um tempo...outrora,
Em que eu...ainda criança,
Camuflei de alegria...uma secreta saudade,
Que embora aprisionada...por anos,
Na cadeia que construí em meu peito,
Persistia...silenciosa e insistente,
A incomodar-me os dias...

-Então aloprado, como sempre fora...
Eu tentava disfarçar...com muita euforia,
A saudade dos cheiros...gostosos,
E dos ternos abraços de minha mãe,
Que, vez por outra...em sonhos,
Fascinantemente, envolviam-me...

-E para disfarçar essa saudade
Que, dela, em meu peito ardia...
Todas as noites...
Logo após o morno anoitecer
Lá na calçada da rua da cidade
Aonde com meus avôs vivia...
Eu brincava, brincava...muito,
Brincava com todos,
Brincava de tudo:
- De pega-pega,
- De esconde-esconde,
- De saltar amarelinha...
-E até de jogar à noite...cabeçolinha,
Como se brincando e brincando...
Fosse-me possível amainar
Tamanha cruel ausência...
  
-Ah! Esse lúdico momento...
(Embora permeado de muita saudade...
Escondida!)
Sempre se permitia perfumar...intensamente,
Dos mais diversos cheiros...
Porque os bogaris, jasmins, cajás e oitis,
Exalavam no ar, sem avareza alguma,
Fragrâncias muito cheirosas...
Que, naquela época...em Fortaleza,
Muito se gostava de sentir...

Montes Claros, 26-03-2012
RELMendes

domingo, 11 de março de 2012

Um estreito afeto

                      (entre a musa e o ancião poeta)

Com certa frequência...
Ponho-me à janela da reflexão...
A ocultar matreiro,
A minha face brejeira,
De ancião-criança!...

Com uma máscara fingida de tristeza,
Tento seduzir a desconfiada musa,
Que atrevida, vez por outra, desaparece...
Deixando-me a contar estrelas...
Ou melhor,
A chupar todos os dedos...
Lambuzados de saudade dela!...

Saudade... tristeza... euforia, ou alegria...
São excitantes hormônios da libido da musa,
Que de longe,
Sente o cheiro do meu poético cio...
Como se parecesse perceber...
O exato momento para fecundá-lo...
Com seu terno hálito de inspiração.

Então,
Os sentimentos ledos,
De lembranças resguardadas...
Lá... num lugar sagrado,
(O útero imaginário do poetificar,
Donde se alojam agasalhados),
Eclodem luminosos...
Para se transmutarem em versos airosos...
Na mente do ancião poeta!...

Arisca, a musa de meus versos...
Assemelha-se a um colibri assustado,
Que esvoaçando, chega inesperado!...
Veloz, trisca astuto as perfumadas flores...
Pra sedento, sugar delas o saboroso néctar,
Que lhe propicia alçar livre...
O voo da passageira euforia...

Saciado por instantes,
Bólido, num piscar de olhos,
Dali desaparece...
Para logo em seguida,
De repente,
Retornar melancólico,
A ciciar sedento!...

Também a despudorada musa,
(À parecença do aloprado colibri),
Toca com delicada leveza meu peito,
(Transparente taça de cristal,
Mais fino que os da Bavária).
E ao seu mais sutil toque,
Logo o cristal do peito se espatifa...
Em gotas de emoções,
Que rápidas,
Transmutam-se...
Em airosos versos,
De “inenarrável ternura”!...

Montes Claros, 11-03-2012

RELM Mendes   

sexta-feira, 9 de março de 2012

Apenas


        
Parece-me...
Que há um século
Não nos vemos.
No entanto
Sábado passado
Repousavas no meu regaço.
Tudo era carinho...
Nenhuma promessa.

Vejo-te amanhã?!
Não!...
Acho que só voltarei
No final da semana.
Últimas palavras
Que o sol testemunhou
Ao resplandecer.

Por favor...
Não te demores tanto.
Volte logo,
Volte depressa,
E deixa-me respirar
A tua presença...
Só mais  uma vez,
Apenas!...

São Paulo(SP), 22-03-1984
REL Mendes


segunda-feira, 5 de março de 2012

Gotas de gentileza no varal das lembranças



No varal de minha memória
Onde dependuro um universo
Polvilhado de recordações
Orvalhadas de gotas de gentileza,
Ainda posso vislumbrar
Muitas outras escondidas
Que, inquietas, pululam ansiosas
Para se transmutarem
Em airosos versos.

Ora, se à semelhança
Das outras já poetizadas,
Cuidadosamente...
  (também agradecido!)
Ainda as posso recolher
Tão saborosas no mesmo lugar
Em que as guardei outrora
No acumular dos muitos anos,
Intensamente, vividos,
Por decerto ainda haverá tempo suficiente
   (E haverá!)
Para que eu possa bordar com elas
Alguns outros belos versos,
Só para continuar a enfeitar de ternura
O meu caderno virtual de lembranças
Transfiguradas em singelas poesias.


Montes Claros(MG), 23-02-2012
RelMendes