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sábado, 27 de julho de 2019

Ontem eu vi Celene


( A Karla de muitas artes)
Karca Celene 



-Kalimera a ti sempre ó Celene!

(Quer desperta ou silente
na lida dos teus versos!)

-Qual delas ah qual delas
Se tantas numa só são muitas?
Celene a feita de brejos
Pois no das “Almas”
Em amor fora concebida
Ou aquela desabrochada
Poema pleno de vida
Em Montesclariou
Nossa amada “Aldeia”
Onde seu primeiro Kalimera
Á vida ela aqui o dera?

-Kalimera a ti sempre ó Celene!
(Quer desperta ou silente
na lida dos teus versos!)

-Qual delas ah qual delas?
Aquela que de repente se espanta
E transpõe “Campos” e sobrevoa
Mares alhures doutras gentes
Pra inebriar-se de seus amanheceres
E pores de sóis deslumbrantes (á beça)
Ou quem sabe quiçá aquela que
Despretensiosamente (Por que não dizê-lo?)
Se dispõe a concluí-los  (modéstia a parte)
(Caso careçam eles de alguns retoques em suas belezuras)
Com o próprio esplendor que ela traz consigo ao sorrir
Posto que mulher-sertaneja de luz poemas poesias
Prosas e cenas teatrais ao clarão do luar deste Sertão
Sofrido mas robusto em Artes!

-Kalimera a ti sempre ó Celene!
(Quer desperta ou silente
 na lida dos teus versos!)

-Ah só sei que ontem eu vi Celene!
Qual delas ou qual das tantas creiam-me
Todas elas ao mesmo instante.
Pois sol a pino com graciosidade inenarrável
Adentrou Celene via telinha da tv á sala de estar
(De minha humilde vivendinha ...no bairro Esplanada,
Nessa linda Montesclarosmontesclariou)
Que nem um arco ires esfuziante de buniteza
Deixando-nos a mim e a todos que a viram
E a ouviram em entrevista dada boquiabertos
Ao cumprimentar-nos... embora já sol a pino,
Com seu adorável Kalimera (Bom dia grego)
Achado por ela á sua maneira sensível de ver
E sentir o sagrado do alhures no caso lá pelas
Bandas das distantes terras além mares e muitos ares
Das antigas Grécias das tantas “Sofias” que houve
 E hão de sempre o haver enquanto houver Celenes
A polvilharem suas “Sofias” mundo afora, quer
Em versos ou simplesmente em poesias...

-Porquanto Kalimera a ti sempre ó Celene
Escritora poeta mulher-sertaneja de muitas Artes
Deste amado Sertão Montes-clarence!

RELMendes – 26/08/2019


terça-feira, 9 de julho de 2019

Se a vida hoje está em breu, questione-se!



Ora! Se a vida hoje está em breu
Vista-se então de luz (ainda que neon)
E trate de iluminar-se pra que ela fulja
Quiçá um simples sorriso teu já baste
Pra ela a vida se acender em radiante fulgor.

Ora! Se a vida hoje está em breu
Enfatiote-se todinho de esperança
Ou quem sabe de girassóis dourados
E sorria á beça pra quem lhe vê passar
Quiçá assim ela a vida  se irradiará de pronto.

Se a vida hoje está em breu
Fantasie-se sim de pirilampo
(Se necessário deveras for)
E ponha-se a pirilampear ao léu
Por onde quer que vás a pirilampear
Ou quem sabe faça-se apenas de luar
Quiçá assim ela a vida se esplenda
Ao clarão do teu fulgente enluarar-se?!

Se a vida hoje está em breu
Então pare pense e questione-se:
-Será mesmo ela a vida
Ou simplesmente eu
Quem hoje está em total breu?


RELMendes – 30/06/2019

segunda-feira, 24 de junho de 2019

Se te apraz amar, pois que ames á beça!



-Ora, se queres, ames, aos uivos!
Se queres, vás além das alcovas...
Quiçá, atrás de moitas, muros, esquinas...
Até em valas ou beirando abismos...(Profundos)
Quem sabe? Mas ames freneticamente!
Sem psius, nem tampouco, constrangimento.
Simplesmente, regales-te em beijos vorazes;
Em caricias buliçosas, aos montes...
 Plenas de desejos obscenos.

-Por fim saciado/a  – ainda que por instantes –
Transportes-te, ao léu,quiçá, ao brilho da reluzente
Estrela da manhã que - mesmo enrubescida
De discreta inveja - passeará contigo pelos céus
Do tal do “eros” insaciável, que se aplacara - por
Momentos -  com os delírios dos afagos por ti
Vividos , aos montes, quase em plenitude total.

RELMendes – 20/06/2019

quarta-feira, 19 de junho de 2019

Meu pensar vai aonde lhe aprouver


Vá! Vá por ai incerto ó meu pensar
Vagueis sem saber bem aonde irás.
Paires quiçá sobre flores a desabrocharem.
Quem sabe?
Não te importes de que espécie sejam
Vez que quase todas têm agradáveis aromas
Bons á beça de se aspirar por momentos.
Flutues quiçá de preferência sobre touceiras
De girassóis dourados a despertarem rodopiantes
Em busca da luz do sol a brilhar.

Vá! Vá meu pensamento por ai ao léu.
Pouco se dê conta com o que se dirá de ti.
Simplesmente se vá aonde possas pousar.
Pousar quiçá por espanto ou encantamento
Para ao relento desse teu espantamento ouvires
O triste cantar do “sofrer” a ecoar em tuas andanças.
Ah, o "sofrer"! Pássaro que de há muito não o ouvias
A solfejar por ai, nem sequer em tuas lembranças.

RELMendes – 19/06/2019

sexta-feira, 7 de junho de 2019

Sem papas na língua (5)


-Quem mandou?  -Quem mandou?
-Agora lá se vai o trem de nossas vidas descarilado.
Será por quê, hein minha gente? Eureque!
Bem sei eu que a maioria das muitas gentes brasilis
O sabem muito bem os porquês  do sinistro
Descarrilamento do trem de nossas tristes vidas...
Que, outrora, eram tão esperançadas.
Mas, simplesmente, essas muitas gentes brasilis agora
Figem desconhe-los (os tantos porquês abestalhados)
Pra não se chamuscarem á boca miuda, por ai afora...
Face ao escangalhamento de seus sonhos(todos)
E aos de outrém também, de quando dos seus incontáveis
 “ mea culpa” que a toda hora, infestam suas consciêcias
(Embotadas, á beça,  de pecados muito além dos veniais!)
Pra não mencionar ainda as perdas imensuráveis ás suas
Esperanças mamulengas que, neste então, não voam mais...
A contento de seus, quiçá, anelos assaz pueris.
-Quem mandou? -Quem mandou?

RELMendes – 07/o6/2019



terça-feira, 4 de junho de 2019

Beijar é sinal de amor pra valer


Se queres ser verdadeira feliz...á beça,
Pois que sejas um pouco atrevido.
Nanporta a idade que tenhas.
Se o amor tão esperado chegou...
Acocha-lhe ao peito sedento.
Tasque-lhe um beijo demorado.
Pouco importa o que digam por ai.
Pouco importa o que futricam alhures.
Sabe por quê? Queres mesmo?
Ora, estão apenas explodindo de inveja!
Portanto, deixa que falem a vontade.
Faça-se de moco aos borborinhos invejosos.
Beije freneticamente até serenar-se a paixão.
Depois usufrua da ternura quase eterna....
Que arrebatar-lhes-á  aos céus dos amantes.

RELMendes – 02/06/2019



quinta-feira, 30 de maio de 2019

Quem nunca resvalou por uma noite interior?


Ás vezes, noss’alma,  por vezes perdida... 
Ou mergulhada em densas trevas...interiores,
(Quiçá, a tal noite escura falada por João da Cruz )
De repente, se alumbra inexplicavelmente, com uma luz...
Quiçá.uma Luz celestial ,a transpô-la...totalmente,
( Sem constrangimento algum, mas tão bem-vinda!)
 Antes que ela, noss’alma, sucumba ás agruras
Que, sem sua aquiescência, nela se aninham
Abusadamente , como se fossem donas dela.
Mas se  apacientarmo-nos, conosco mesmos,
E , sobretudo esperançarmo-nos, á beça, elas,
As densas trevas – interiores – quiçá,logo se dissiparão...
E noss’alma voltará a saborear a luz da alegria.

RELMendes – 21/05/2019


terça-feira, 7 de maio de 2019

Mesmo quando o outono chegar As flores hão de perfumar-nos


Mesmo em ventos de manhãs de outono
Desperta-nos ao perfumarem-se as flores
Que não obstante o sopro gélido do outono
Insistem em desabrocharem nos jardins
Do de repente das estações do tempo em troca
Para aquinhoar-nos de belezuras os amanheceres
Da vida estilhaçada em dias plenos de variados
Espantamentos efêmeros que sempre vale a pena
Deixarmo-nos arrebatar por todos eles, sem hesitar
Jamais, não importa o estranhamento chulo
Em que noss’alma se debruce no momento.

RELMendes – 07/05/2019



segunda-feira, 29 de abril de 2019

Não há que se ter tanta ansiedade a toa Pra se degustar a deliciosa felicidade


-Eu, tu, ele, ela, nós, vós, eles...e elas,
Todos nós...juntos, enfim:
- Estamos sempre muito inquietos!
- Quiçá,malassombrados, á beça, até!
Vez que a ausência de intermitência
Em nossas ansiedades constantes
(Para se ser feliz a qualquer preço)
Alvoroçam-nos, desnecessariamente,quiçá,
A alma ingênua, o coração aloprado...
E a pobre mente abestalhada...
Como se fora os de uma criança
Que facilmente se deixa levar ao léu
Ao sabor de suas ilusões tão pueris...

-Ora! Ora! Ora! Deixarmo-nos, pois,
Levarmo-nos pelos apelos pueris da criança que
Em nós residirá até o fim de nossos dias...
E corramos sem medo, o risco de se descobrir que
Felicidade é apenas um punhadinho de coisinhas
Com o delicioso sabor de infância, tão somente,
E nada além!

RELMendes – 23/04/2019

quarta-feira, 24 de abril de 2019

Todo dia é dia de índio




-Nesse país todos nós somos índios.
(Ou seja. AMERÍNDIOS ou SILVÍCOLAS!)
Quando não no sangue, em seus muitos costumes.
- Comemos lambendo os lábios - beiços mesmo –
Mandioca, macaxeira ou aipim, em suas diversas
Formas de degustá-la prazerosamente:
- Farinhas diversas, farofas tantas, beijus, tapiocas,
Bolos etc & tal
- Balançamo-nos prazerosamente em redes...
- Cochilamos preguiçosamente no seu  balangar.
- Quem não gosta de uma traira sem espinhos
 Frita ou assadinha?
Com as índias aprendemos assá-la ao calor das brasas
Embrulhada em folhas de bananeira ou outras folhagens.
- Quem de nós não gosta de se banhar várias vezes ao dia?
Dizem os europeus que isto é coisa de índio. E não será?
- Quem de nós não gosta de se mudar com  frequência?
Mudança faz parte da vida do índio em busca de terra fértil.
- Fomos, outrora, acolhedores e hospitaleiros, sobretudo com
Os nossos...porque numa tribo todos são responsáveis por todos.
 Como órfãos, idosos etc & tal.
- Somos trabalhadores porque o índio – macho – levanta-se
Cedinho para caçar e pescar para prover a tribo de alimentos.
Se eles descansam á tarde, não é por preguiça, mas pra estarem
Aptos a enfrentar o inimigo invasor de seu território e darem  
Assim condições de fuga ás crianças, mulheres e idosos.
- As índias são parceiras laboriosas e responsáveis pela
Continuidade da espécie...e sua sobrevivência...com fartura. 
- O índio, pra quem não sabe, é um educador por excelência:
Pois quando vai ensinar algo a algum curumim- criança –
Ele se poe de cócoras para ouvir e falar sem se impor
Pela sua altura...ao seu aprendiz atento etc & tal
Isto é apenas um exemplo!

-Então salvem- nos! Salvem-nos!
Porque é uma pinóia das cabeludas
Quem no Brasil diz, ou afirma não ser índio!
“Êta  que quá!”

PS - Ah! A sinistra ministra da agricultura, Tereza Cristina, e
Outros afins, como a esdrúxula Damares, não o são
Vez que uma é uma chupadeira de mangas, quiçá, um guariba,
E a outra, uma butiazeira, viciada em goiabas celestiais.

RELMendes – 20/04/2019
Fotos  de Manoel Freitas


sexta-feira, 12 de abril de 2019

Coisinhas corriqueiras do meu dia a dia


-Acordei? -Respirei? -Espreguicei-me?
-Certifiquei-me de que ainda estou deveras vivo?
-Pois, então, vou deixar a luz do sol entrar:
- Cantarei louvores de gratidão aos céus...
E á vida a fluir em mim, e fora de mim,
-Irei em seguida pras ruas entreter-me, á beça,
Com meus pares... Ou melhor.. Os de minha idade.
(Senhorzinhos e senhorinhas fuxiqueiros)
Para nos desentendermos ou concordarmos
Sobre a escrota tuchutuchucança do ministro
(da economia)
Em favor dos gananciosos banqueiros exploradores...
E gargalharmos muito, acintosamente até, d’outro
Ministro, apedeuta, e de sua infeliz gafe ao dizer:
- “Conge”, ao invés de cônjuge....
“Êta que qua!”

-Gente, por conta de tanta zueira e gozação, á beça,
 Sou sempre o último a deixar a patota, tagarelante,
 Ou a abandonar o pedaço aonde as fofocas correm
Desenfreadas, aos montes...  
Vez que não quero que falem de mim pelas costas...
“Èta que qua!”

-Contemplarei também, florzinhas mimosas, á beça,
Que se aproveitando do desleixo, a olhos vistos,
Das calçadas desgastadas e ruas esburacadas
(Por culpa dos proprietários ou dos fiscais públicos)
Desabrocharam displicentemente, a seu bel prazer,
Pelas frestas ou rachaduras das coxias e calçadas
Por onde costumeiramente, ainda ouso caminhar...
Com medo, á beça, de esparrachar-me ao chão!
“Êta que qua!”

RELMendes – 04/04/2019


quinta-feira, 4 de abril de 2019

QUIMERA, quase um nome de mulher.


(À minha filha Tatiana Veloso Mendes)


-Ah,n’alma, quimeras já as degustei muitas!

Mas quase todas, oh, eram apenas
Um punhado de utopias, irrealizáveis...
Nada além!

-Mas ela, minha Quimera-menina,
Era um grãozinho de Esperança
A decorar de alegria, á beça, todo dia,
O jardim de minh’alma sempre feliz
Desde seu desabrochar em minha vida,
Toda sorrisos... Vivacidade...
E plena de matreirice...  Jocosa!

-Seus olhinhos, ah, seus olhinhos eram...
E ainda o são, para mim, pura alegria a valsar.
(Embora de discutível inocência, também!)
Porém, eles, seus olhinhos, rasgadinhos...
Sempre brilhavam/ á beça, em qualquer situação
Que, por ventura ou desventura, se lhe apresentasse
A qualquer momento, fosse ele oportuno ou não.
Ou melhor: - Cintilavam... Lampejavam, sem cessar...
(A toda hora e em qualquer lugar...em que os fitasse.)
Como se fora eles, estrelas cadentes a rasgar os céus,
Brincando de pirilampos, em noite de luar.

-Ah, minha Quimera-menina não era, tão-somente,
Um simples fruto de minha fértil imaginação, não!
Ela, minha Quimera-menina, é, foi, e sempre será
Uma pessoa linda, valente e, totalmente destemida.
Pois, desde muito pituchinha, se impõe altaneira...
Como quem sabe que é gente capaz de escolher
Seus próprios quereres...
E, por conta disso, mesmo, ainda hoje, ela...
Minha Quimera-menina, muito alumia-me a alma
E o peito, assaz lembrador, deveras,
Que muito plangem de saudades...á beça,
Da infância dela em caminhada!

-Para mim, ela, minha amada... Quimera-menina,
Era, é, e sempre será a própria face, lampejante,
Do viver hoje e de um futuro assaz promissor, deveras!
- nem sempre pude acompanhar o passo a passo...
De seu encantador acontecer, em plenitude, a cada dia -
Pois sua inteligência, assaz curiosa e sagaz...
Desde bem cedo se deu a perceber...a olhos vistos.
Sem, contudo, se fazer de arrogada... Jamais!

-Mas o tempo galopou aligeiradamente,
E, minha pequena Quimera-menina, tão amada,
Após desabrochar-se em Quimera-moça, bonita,
Fez-se uma bela e batalhadora mulher-mãe, amorosa,
De dois bons e belos jovens...estudiosos e gentis,
Para o deleite de todos nós que a amamos...
Além do demais da conta sô!

RELMendes  30/03/2017




quinta-feira, 21 de março de 2019

Meu quarto rebento - benquisto - é um total alento


(A meu caçula Daniel Mendes)


-Filho, em minha envelhecência já presente:
- Tu és a luz que alumia-me os dias.
(Quer sol a pino, tarde escaldante ou noite fria)
- Tu és a mão que auxilia-me na travessia.
(Do meu muito caminhar, daqui prali e de lá pra cá!)
- Tu és o timoneiro que conduz o barquinho
    Da minha vida, ás vezes, á deriva...
(Timoneiro, assaz distinto, no trato a idosos, tu és!)
- Tu és aquele que se faz em mil pessoas
   Só pra acudir-me, a contento e a tempo,
   Em minha tantas necessidades,
      (médico hospitalares, passeios ect &tal)
   Por vezes, tão aporriantes...   Êta qui qua!
(Tua paciência, comigo, é dom de DEUS, sabias?)
-Tu és verdadeiramente, um cara do coração lindo.
(Isto desde que tu eras bem pituchinho!)
 Um punhadão de admiração por ti viu, meu Filho?

-Filho, meu amado quarto rebento...inquilino
Benquisto do coração deste teu velho pai poetinha...
Atentemo-nos!  (Ao que responderemos!)
Pois muitos hão de nos questionar, sem dúvidas:
- Mas que história é esta?
- Não há rusgas entre vocês não?
Então, dir-lhes-emos, sem hesitar:
- Mas evidentemente que sim!
- Um bate boca aqui, outro de novo...ali.
(Pouquinho tempo depois... ) Isto todo santo dia!
Entretanto, nenhum dos dois ( nem ele nem eu) dorme...
Sem antes se abençoarem, mutuamente, não obstante
Esses tantos aborrecidos arremedos diários, viu?

-Filho, meu amado quarto rebento, hóspede
 Querido do coração deste teu velho pai poetinha
Dá-me aqui tuas mãos amigas e generosas,
(Entrelacemos os dedos!)
E aquietemo-nos á sombra desta, paterno filial,
Amizade, que a nós transcende...ao terra a terra!

RELMendes – 19/03/2019


quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019

Ode Ás Mãos Falantes


-Ah, as mãos por vezes dizem mais que palavras!
Sabe por quê?
Porque elas as mãos falam no silêncio das carícias
E, sobretudo no silêncio das tentativas de busca
Do ainda totalmente obscuro.
Pois desde o nosso despontar no procênio da vida
Elas as mãos seguram-nos jubilosas e firmes.
(As do obstetra ou parteira, dependendo da hora)  
Logo em seguida as mãos da mãe nos acariciam
E apressadas conduzem-nos aos bicos de suas tetas
Para o nosso primeiro alimento fora das pastagens  
Do seu quente e aconchegante útero.
(Ó! Desde ao nascermos as mãos nos acariciam!)
Em seguida as mãos do pai jubiloso esfregam-se uma
A outra sem aquietarem-se um só instante sequer
A demonstrarem a vaidade e felicidade infindas do genitor.
(Ó! As mãos fuxicam sobre nosso estado d’alma!)

-Ah, as mãos por vezes dizem mais que palavras!
Sabe por quê?
Porque elas falam no silêncio das carícias
E, sobretudo no silêncio das tentativas de busca
Do ainda totalmente obscuro.
As mãos sempre antecipam-se ao nosso engatinhar buliçoso.
As mãos gente tateiam objetos ao ensaiarmos inquietos
Os nossos primeiros passos cambaleantes á beça.
As mãos durante todo o percurso da vida:
(de qualquer um de nós)
- Gesticulam além de toda maneira que se possa imaginar
Ora por bondade, como que dizendo carinhosamente:
- Vem cá meu benquerer dengoso, pois quero te adular agora!
Ora por malquerença, como que esbravejando irritadas:
- Vai pros raios que o partam ó enxerido abestalhado!
Ora hilários á beça, como quando furdunçam nossos cabelos
A cata de piolhos coceirentos na cabeça da gente.
Ora abusadamente indecorosos. Como quando dão um
Deselegante cotoco (mostram o dedo médio ) ao importunador...
E pronto!

-Ah, as mãos por vezes dizem mais que palavras!
Sabe por quê?
Porque elas falam no silêncio das carícias
E, sobretudo no silêncio das tentativas de busca
Do ainda totalmente obscuro.
As mãos pedem doam escrevem poesias aos montes
E incontáveis cartinhas de amor sem fim.
As mãos salientemente deslizam inquietas pelo corpo
De quem se ama ao delírio. Eta coisa boa meu Deus!
(Ó! Mas que danadinhas hein?!)
As mãos fazem quitutes deliciosos pra serem por nós
Saboreados no transcorrer do nosso dia a dia.
Enfim as mãos não cessam de falar jamais.
Ou melhor. Cessam sim! Quando exalarmos
O nosso inevitável: - Último suspiro!
Mesmo assim lá no esquife lá estão elas as mãos.
Gélidas. Cruzadas sobre o peito do morto. Primeiras
A serem vistas no contexto mórbido do velório.
Benditas sejam elas as mãos que com maestria
Dedilham sem cessar os teclados da vida.
Até que seus holofotes se apaguem...
Definitivamente, claro!

RELMendes – 19/02/ 2019


quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

O colhedor de flores e sua amada



Hoje colhemos flores. Juntinhos.
Eu transbordava-me de alegria.
Tu apenas admiravas-me a colhê-las.
O jardim espiava-nos fascinado.
Até dispôs-se a raptar-te.
Acho que imaginara seres tu
A flor que nunca o enfeitara ainda.
Ficaste encabulada com seu delírio.
De esguelha olhaste-me ressabiada.
E a sussurrar disseste-me:
Vamo-nos embora daqui meu amor?
A mim basta-me ser a tua flor!


RELMendes – 07/02/2019

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

Ainda acalento sonhos E por que não?


-Ainda acalento o sonho
De amanhecer-me
Beira mar. Mar zunindo.
Pés molhados
De ondas quebradas
No remanso do mar.
Boca salivando
Vontades de comer
Pitu caranguejo e peruá...
A beira mar. A beira mar.,

-Ainda acalento o sonho
De mais uma vez
(Ah quem dera!)
Voltar á terra onde nasci.
Brisa ventando maresia.
Cheiro de infância roubada.
Porque não tida. Não vivida.
Como hoje é pensada.
Mas foi abanada com leques
Ou ventarolas sopradeiras
Da brisa do mar buliçoso.
A beira mar. A beira mar.

RELMendes – 30/12/ 2018


segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

Matreirice Caipira, Uai!


-Ouvir ou escutar atento
As prosas debochadas
Do caipira deste Sertão
É bom demais da conta sô!
Promove até inclusão total viu?

-Caipira ou roceiro,
Como o queiram chamar.
O capiau catrumano não é nada
De besta não sô. Muito ao contrario.
Ele é assaz sabichão
E sobretudo dissimulado pacas!
Se ocê pensou que ele era abestalhado
Saiba que ocê mijou nas beiradas do orinó!

-Capiau catrumano ressabiado
(Aparentemente sofredor e atoleimado)
Mas na verdade é uma ave de rapina
Quiçá quem sabe um carcará
A espreitar a presa fácil e desavisada
Que dele se compadece, á beça
Que dele se aproxima...aos prantos
Sem se aperceber de sua esperta safadeza.

-Cuidado portanto com o caipira ou capiau
Porque ele é muito matreiro.Esperto á beça.
Se a gente der bobeira, ou se deixar levar
Pela sua conversinha mansa e manhosa á beça
O pobre e aparentemente triste capiau
Nos passa a perna sorrindo ( lá dentro de si.)
Sem hesitar por um só momento.
Sem sequer sentir pena alguma.
Nem tampouco nenhum dó
De quem ele por ventura com apenas alguns
Causinhos consternadores facilmente enganou
( completamente )
Bastando-lhe para tanto se fingir de coitadinho
Ou de um abestalhado simplório. Falou?

Montes Claros, 20-11-2011
(RELMendes)

segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

Quem é essa moça ai tão formosa hein?


-Se é uma moça bonita é minha neta
Nascida há alguns anos neste Sertão.
Mais linda que ela ninguém o é mesmo!
Nem mesmo as mimosas florzinhas   
Enfeitadoras das malhadas poeirosas
Desse nosso torrão. Eu acho!

-Se é uma moça faceira é minha neta
Nascida há alguns anos aqui neste Sertão.
Faceira que nem ela...ah é raro!
Somente os roseirais a florirem aos montes
Nas terras desta amada Montes Claros o são.
Ou os outros roseirais faceiros a florirem
N’outras plagas das inúmeras Gerais.
Como os da bela Ituiutaba do Triângulo.
Onde ela minha neta foi cuidadosamente cultivada
Vez que por lá vivem seus pais!

-Se essa tal moça faceira tem olhinhos de jaboticaba
- Quais fossem pérolas negras preciosíssimas
Que vez em quando reluzem nos meus olhos
A brincar de pirilampos em meu coração sorridente -
Saibam. Ela essa tal moça formosa que nem uma fulô
Do sorriso rasgado e bonito a fluir sem avareza
Que a mim e a muitos por decerto encanta á beça
É simplesmente a minha neta Jéssica Mendes.
A única neta deste longevo Romildão. O ancião versador
Desse amado e decantado Sertão tão versejado
Porquanto deveras tão encantador!

-Ora!Quiçá esse meu encantamento todo
Seja apenas por eu ser seu avô paterno.
Mas este avô ancião versador  sempre
Transbordou de amor por ela aos borbotões.
Ah! E transbordou de amor desde que ela
Sua bonita neta desabrochou faceira
- Nessa terra deste amado Sertão -
Como deveras faceira sempre desabrocha
Uma bela flor-mulher sertaneja.

RELMendes -15/01/2019

domingo, 13 de janeiro de 2019

Ou vai ou racha! Ficar só é só pra que gosta!


(mesmo assim de repente vez por outra ele se arrocha
ás escondidas nas quebradas da vida!)


-Sem saber por quê é quê é

(Como diria Guimarães Rosa)
Nem tampouco se deveria
Ainda assim disponho-me a ser
Seu amigo agorinha mesmo.
Embora desconfiadíssimo.  Viu?
Entretanto venha bem de mansinho
Senão me espanto e me arranco
Das bocas ligeirim ligeirim.

-Pois não pretendo jamais ser refém
De nem uma estrambelhada qualquer
Nem tampouco de quem queira apenas
Tirar umas casquinhas maneiras de mim
E depois largar-me cá transbordando
De saudade aos montes. Falou?

-Sabe por causa de quê que num quero ser refém?
Por causa que há quem diga a boca miúda
Ou afirme de mãos e pés juntinhos
Que a tal da saudade (Ah saudade!)
É um trem mas um trem tão malvado. É.
Que já matou muita gente mundo afora.
Mas se quem me quiser não importa a intenção
Vier bem de mansinho talvez eu tope a safadeza.
Pois se saudade mata a tal solidão extermina!

RELMendes – 13/01/2019




domingo, 30 de dezembro de 2018

Por vezes minh‘alma nubla-se de saudades


-Nublada está minh’alma inquieta!
Nada há por aqui que a acalante...
Vinhos? Há! Estes já não mais a aquiescem,
A contento. Não, nas frias madrugadas
Desse seu outono...interminável!
Nem mesmo servem para abrandar-lhe
Seus incessantes lamentos aos prantos.

-Nublada está minh’alma,absorta em lamentos.
Às noites sempre empanturra-se de saudades.
A passos trôpegos ela anda a cambalear
Pelas vielas de meu pretérito, distante...
(Em busca sabe- se lá do quê, ou de quem! )
Pois sabido é que, por lá, ela nada, ou coisa alguma,
Amealhou de mais valia, pra debulhar-se assim
Em tantas saudades...infindas.Eu hein?

RELMendes – 06/08/2018



segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

No Natal um amor inesperado pode deixar Nosso mundo um pouquinho mais encantador.


-Ora, não fique macambúzio não!
Até concordo contigo. O tempo de Natal
É muito propício á melancolia.
Ou seja. A saudade nesse tempo
Toma posse da gente sem pedir licença.
É assim mesmo. Sempre assim!

-Ah! Mas olha só,o mundo continua a girar
(Independentemente do nosso querer)
Rodeando-me sem cessar
- Não sei eu a troco de quê!
Rodeando-te pra ti espiar
- Bem sei eu a troco de quê!
Rodeando-nos á distancia
- Quiçá, pra não nos perder de vista!
Rodeando-nos curiosamente.
Qual carrapeta colorida a girar
Em chão de terra batida.
(“Eta que quá!)

-Então, lancemo-nos já, um aos braços do outro,
Demo-nos as mãos agora, entrelacemos os dedos,
(Sem hesitar nem um tiquinho sequer...)
E deixemos o mundo a nos espiar espantado.
Pois que ele, o mundo, fique logo sabendo:
- Qualquer tempo é bom pra se amar,
Inclusive até á sandice, ora!

RELMendes – 15/12/2018

quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

Vestir-me de mim mesmo É meu maior anelo!


-Então, de imediato, proponha-se a:
- Desvestir-se da esdrúxula
  Ostentação tão em voga.
  Ela é pura fantasia.
- Saber-se único ( no universo)
  É um dilema.
  E sentir-se nascido
  Para amar é outro.
- Fazer-se total empatia
   Pelo caminho...é sina!
- Navegar-se até obter-se
  É inegociável!
- Óh! Coisas profundas!
   (- Pra su’alma de criança. - )

-Mas o que é vestir-se de si mesmo?
Ah! É apenas preparar-se
Para dar-se totalmente a alguém
Que nos queira bem, de verdade!

RELMendes – 06/12/2018